De nenhum representante na Câmara de Santo André na legislatura passada à segunda maior bancada na atual, com três vereadores. A trajetória surpreendente do DEM o tornou uma das principais forças políticas no município, mas não foi suficiente para unir a sigla.
Ao contrário. Após seis meses de mandato, os parlamentares democratas - Evilasio Santana dos Santos, o Bahia; Geraldo da Silva Souza, o Isqueiro; e Luiz Carlos Pinheiro, o Pinheirinho - estão sem direcionamento partidário e não conseguem se entender no Legislativo. São duramente criticados pela inconstância como base aliada e pela inexperiência por estarem em primeiro mandato.
Para complicar a situação, antes de entrar em férias (recesso) expuseram o racha interno ao trocar acusações públicas, colocando em risco a governabilidade do prefeito Aidan Ravin (PTB) na Casa.
"Estamos rachados. Não há condição. Lanço meu nome à presidência do partido e os dois vão contra. Minha mãe é homenageada no Hospital da Mulher (o banco de leite do prédio recebeu o nome de Maria Aparecida Pinheiro) e eles não comparecem. Fingem ser amigos. Sinto como se estivesse com duas facas fincadas nas minhas costas", desabafou Pinheirinho.
Ele declarou ter decidido "seguir carreira solo porque não quero ficar marcado em um grupo que não sabe o que quer". Segundo Pinheirinho, os colegas Isqueiro e Bahia derrapam no apoio ao governo.
Por outro lado, Bahia afirma ter cansado do embate. "Não adianta mais falar. Somos diferentes. Se um vereador solicita asfaltamento de rua no Parque Novo Oratório (base eleitoral de Pinheirinho), ele diz ter sido traído. Sou vereador de Santo André, não do meu bairro. Não tenho de dar atenção a um cara que pensa dessa forma. Lugar de bebê é no berço, não na Câmara", lamentou o democrata, segundo o qual a divisão no DEM prejudica o trabalho dos vereadores. "A direção do partido deveria tomar atitude."
Para Isqueiro, líder dos democratas na Casa, Pinheirinho está equivocado. "Ele precisa ter postura. Pode se matar com o próprio veneno", declarou, afirmando que o colega "exagera na defesa ao governo". "Não é tudo o que vem para esta Casa que somos obrigados a votar. Política não é assim. O Pinheirinho precisa tomar cuidado com as declarações, pois quando pensar diferente pode ficar ruim voltar atrás."
PIB - A dificuldade criada pelos democratas à administração rende piadas nos corredores da Câmara. "O grande problema do governo hoje é o PIB", ironizam governistas, referindo-se às iniciais dos apelidos dos democratas: Pinheirinho, Isqueiro e Bahia.
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