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Polanski e sua história de obsessão e violência



17/04/2018 | 07:22


Ainda com problemas pendentes na Justiça, Roman Polanski passou meio incógnito pelo Festival de Cannes do ano passado. Participou da coletiva e do tapete vermelho de seu longa Baseado em Fatos Reais, que estreou na quinta, 12. Não deu nenhuma outra entrevista. Essa tarefa coube às duas estrelas do filme - Emmanuelle Seigner, a sra. Polanski, que já estava excepcional no anterior A Pele de Vênus, e Eva Green. Polanski contou o que mais o atraiu no livro de Delphine de Vigan. "Nunca havia feito um filme centrado numa relação tão intensa entre mulheres. É uma ligação antropofágica. Mexeu com o meu imaginário e, tenho de admitir, com a minha libido."

Quem fez a adaptação para Polanski foi o roteirista e também cineasta Olivier Assayas. "Roman me deu toda liberdade e depois me elogiou porque disse que havia conseguido captar o essencial do livro. Durante o processo, me confidenciou - 'É mais fácil dirigir uma mulher do que viver com ela.' É uma típica frase de efeito de Roman, mas esse é um filme feminino muito forte, com duas atrizes excepcionais." Na trama de Baseado em Fatos Reais, Emmanuelle faz uma escritora que acaba de lançar um livro inspirado em sua mãe. Ela participa da campanha de lançamento. Autógrafos, autógrafos, autógrafos. Emmanuelle sente-se sozinha, vulnerável. Os filhos saíram de casa, o marido está preso ao próprio trabalho. Surge Eva, que a vampiriza. Organiza sua agenda, sua vida. Dopa-a de medicamentos e a isola do mundo. Por quê?

"Se há uma coisa que Roman nunca fez para a gente foi psicologizar essas personagens", disse Emmanuelle numa mesa com um reduzido número de jornalistas. "Ele queria o mais difícil. Uma relação de dominação e submissão baseada em sensações puramente físicas, instintivas." E Eva - "Roman me disse que eu já estava há muito tempo no imaginário dele, desde Os Sonhadores (de Bernardo Bertolucci). Depois, fiz o James Bond (Cassino Royale). Para ele eu devia ser uma bond girl fora de um filme de James Bond. Suas instruções eram desconcertantes - 'Mais fatal', pedia para mim. 'Mais frágil', para Emmanuelle. E de repente ele pedia para a gente mudar."

Emmanuelle, que vive com o diretor, diz que considera Baseado em Fatos Reais uma espécie de sequência de O Escritor Fantasma. "Roman é muito atraído pelo tema do ghost writer, sobre como alguém é capaz de se apagar em função de outro. O assunto lhe interessa até como forma de refletir sobre os limites da realidade e da ficção. Todo mundo é capaz de acreditar que a realidade é mais forte que a ficção, menos Roman. Ele considera a ficção mais importante que qualquer verdade trivial. E é isso que o filme reflete. Já vi, nesses encontros com jornalistas, que tem gente que acha a história cheia de buracos negros. Por exemplo, Eva é L (Elle). Não tem um sobrenome. Muita gente acha uma falha, que eu deveria cobrar seu sobrenome e fazer uma pesquisa na rede. Mas isso inviabilizaria o filme, não?"

Eva Green diverte-se - "Você acredita que ele (Polanski) não tem Facebook?"

Quando o repórter lhe diz que não tem nem celular, ela explode numa risada - "Vocês deviam se juntar. Seriam dois Ets." Para ela, Baseado em Fatos Reais representa uma espécie de reação de Polanski - "Ninguém mais quer saber de ficção. As pessoas querem surpresas, emoções fortes, mas o segredo hoje é viver numa hiper-realidade." E Eva provoca - "Disse a Roman que sabia por que ele chamou Olivier (Assayas) para escrever o roteiro. Essa ligação de duas mulheres tem algo da de Kristen Stewart e Juliette Binoche em Acima das Nuvens, que Olivier dirigiu." Emmanuelle concorda, em parte. Embora nunca tenha filmado antes as obsessões de duas mulheres, Roman tem todo um passado, no começo da carreira dele. Pense em Armadilha do Destino, em Repulsa ao Sexo.

"O que lá ele fazia com uma personagem, aqui ele multiplica por duas. Sinto uma certa decepção pelo filme, principalmente porque A Pele de Vênus teve uma acolhida maravilhosa, aqui mesmo em Cannes. Mas o filme foi muito prazeroso de fazer. Divertimo-nos, e Roman, quando filma, vira outra pessoa. Eu, por mim, o manteria filmando em tempo integral."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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