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Alcoolismo e suas vítimas

André Henriques/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Vício é reconhecido como doença pela OMS; consumo teve alta de 43,5% no País nos últimos dez anos


Bia Moço
Especial para o Diário

05/03/2018 | 10:00


Encontros rotineiros com amigos em torno de uma mesa de bar para conversa descontraída e regada a drinks e cervejas podem esconder problema cada vez mais presente na sociedade brasileira e responsável por desestruturar vidas: o alcoolismo. Considerado patologia pela OMS (Organização Mundial de Saúde) desde o ano passado, o vício tem ganhado força no País, conforme pesquisa da própria instituição internacional – o consumo de álcool per capita no Brasil aumentou 43,5% em dez anos, passou de 6,2 litros anuais por pessoa com 15 anos ou mais, em 2006, para 8,9 litros por ano, em 2016.

Embora o uso abusivo do álcool seja considerado doença, a maior parte dos consumidores não enxerga desta forma. Para eles, a bebida está associada ao prazer. No entanto, na maioria dos casos patológicos, o vício está relacionado a questões emocionais e psicológicas. Conforme especialistas, a sensação de bem-estar e empoderamento fazem com que o indivíduo deseje cada vez mais o álcool, seja para perder a timidez ou para fugir de problemas.

Exemplo do efeito prejudicial do álcool foi compartilhado por homem de 59 anos, frequentador de um dos 20 grupos de AA (Alcoólicos Anônimos) da região. Sua primeira experiência com a bebida foi aos 13 anos, por meio de brincadeira com amigos. O consumo, seja para se enquadrar na turma, ou devido à sensação de que a diversão era mais intensa quando estava sob efeito do álcool, foi ampliado ao longo dos anos, até que passou a não ser mais opção.

As constantes idas ao bar trouxeram consequências físicas, como a perda parcial da visão do olho direito, hemorragias e, inclusive, perda dos movimentos das pernas durante um ano. Por causa da bebida, o homem revela ainda que chegou a ser esfaqueado e quase morrer. “Agradeço por estar vivo. Em 1995, cheguei ao grupo de alcoólicos anônimos, mas não é simples largar o vício. Continuei bebendo. São duras etapas pela frente. A primeira delas é a conscientização, coisa que não tive logo de cara. Somente em 2001 aceitei a doença e resolvi mudar.”

Com ajuda do plano das 24 horas e seguindo à risca a técnica do ‘só por hoje’ , ele completou 17 anos longe do álcool. “Continuo vindo diariamente às reuniões do grupo, pois (se ficamos) um dia sem vigiar, temos recaída.”

Ao longo da vida, o homem acumulou perdas: família, amigos, emprego e dinheiro. Atualmente mora de favor e está em busca de trabalho. A meta é evitar a substituição do vício. “Sou compulsivo. Larguei a bebida, mas sou jogador. Preciso melhorar muito ainda. Trocar uma dependência por outra continua sendo fraqueza.”

O sofrimento de passar boa parte dos anos vivendo em pensões, cortiços, comunidades e casa de amigos, fez com que, nos anos 1980, ele aderisse ao uso de entorpecentes por quatro anos. Participou de salas do Narcóticos Anônimos e fez tratamento psiquiátrico. Hoje lamenta. “Tenho uma filha de 26 anos que vejo raramente. Claro que por conta da bebida. Sou alto e de voz grossa. Quando não estava sóbrio, seja por droga ou álcool, empostava a voz e a assustava. Hoje, vejo que cada dia na minha vida é uma conquista. Sei que preciso melhorar meus valores, ainda sou dependente de ajuda.”



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