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Kramer versus Kramer


Do Diário do Grande ABC

12/02/2018 | 10:02


É extremamente excêntrica, mesmo para os dilatados padrões brasileiros, acostumados às maiores esquisitices perpetradas pela classe política, a decisão do prefeito de Diadema, Lauro Michels (PV), de entrar na Justiça contra o próprio Paço. Por acreditar que o município tem contas a acertar com ele, no período em que foi vereador pela segunda vez, de 2009 a 2012, o verde decidiu cobrar nos tribunais R$ 70 mil que, entende, lhe seriam devidos a título de férias e 13º salários. E lá se foi ao fórum, tomando o cuidado de, dono de patrimônio equivalente a R$ 2,8 milhões, de acordo com sua última prestação de contas, exigir os benefícios da tramitação gratuita.

À primeira vista, por envolver elementos altamente inusitados, como o fato de autor da ação e réu serem a mesma pessoa, a situação se assemelha ao roteiro do premiadíssimo filme norte-americano Kramer vs. Kramer, de 1979, onde Dustin Hoffman e Meryl Streep, marido e mulher, disputam a guarda do filho nos tribunais.

Mas se o script do longa-metragem de Hollywood concentra alta carga dramática, o protagonizado por Lauro Michels em Diadema não passa de comédia pastelão estrelada por um bufão. Especialista em Direito Constitucional, o advogado Luiz Tarcisio não dourou a pílula ao classificar o caso. “Beira o ridículo”, posicionou-se, ao ouvir a história. Evidente. Inexiste no mundo legislação que não separe autor de réu. Exatamente para evitar conflito de interesses.

No caso em tela, advogados do município, preocupados em agradar o chefe, poderiam propositadamente fragilizar os argumentos de defesa de modo a facilitar o ganho da causa pelo Lauro-autor. Por outro lado, impor derrota ao Lauro-réu poderia fazer com que os defensores do município passassem a ser perseguidos politicamente pelo prefeito.

Não há, por tudo o que foi exposto, outra maneira sensata de o episódio terminar sem que a Justiça encaminhe os pleitos de Lauro para a lata do lixo da história, rejeitando a ambos, de onde só deverão sair para enriquecer o vasto anedotário político nacional. 



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