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Roger Ramos, de Mauá, usa as artes visuais para colocar em pauta assuntos deixados de lado


Vanessa Soares
Do Diário do Grande ABC

03/01/2018 | 07:41


 O ser humano tem grande necessidade em se expressar, independentemente da forma que escolhe fazer isso. Uns preferem as palavras, outros a música. E há quem o faça por meio das artes visuais. É o caso de Roger Ramos, 30 anos, de Mauá. “Sou artista no sentido mais amplo da palavra, e isso inclui produção de obras, curadoria e ser arte-educador”, explica.
O início foi com o grafite, ainda na década de 1990, mas o interesse pelo ofício nasceu muito antes, quando ainda era criança. “Desde que me entendo por gente me interesso por desenhos. Aos 4 anos tinha certa facilidade de reconhecer símbolos e imagens. Pelo desenho reconhecia as letras e dizia o que era”, relembra.

De lá para cá não parou mais. Isso se deve também ao fato do grande incentivo que recebeu dos pais, que sempre o apoiaram. “Eles fomentaram muito esse projeto. Minha mãe percebeu que comigo o diálogo não funcionaria. Seria mais fácil com desenho do que com as palavras.”

Muito além das pinturas, o envolvimento com a arte fez Ramos perceber o meio em que vive, entre tantas outras coisas. Ele conta que foi com o grafite que se percebeu negro pela primeira vez. “Essa arte dá a qualquer pessoa a acessibilidade de captação cultural, porque dança, teatro, cinema são para poucos. É na rua onde o corpo preto transita. Foi por meio da arte que também me afirmei.”

Tudo que aprendeu em sua trajetória o mauaense faz questão de levar adiante. Formado em artes visuais, atualmente é professor do Ensino Fundamental em São Bernardo. “Trabalho integralmente com arte. Quando não estou na escola, estou no Muda Estudio (seu ateliê).”

PROJETOS
Seu principal objetivo como artista é levantar discussões que muitas vezes passam despercebidas pela sociedade. Atualmente está desenvolvendo, juntamente com Rhay, outro artista de Mauá, ações para revitalizar alguns locais do Centro da cidade. “Queremos colocar duas coisas em pauta. Tudo está ligado a corpo, templo e espaço. As três se interpenetram em muitos momentos. Nosso corpo é nossa casa, nosso templo, nosso espaço. As pessoas estão sendo forçadas a morar longe do Centro, que fica inabitado, e onde as pessoas não existem, há espaço para marginalidade. A revitalização desses espaços é para chamar atenção para isso”, explica.

Quem quiser conhecer mais do trabalho que o artista realiza, pode entrar em contato pelas redes sociais (facebook/estudiumudasorte e >@somarregor, no Instagram).



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