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O que se fala sobre o amor


Rodolfo de Souza

30/11/2017 | 07:00


 Dia destes, numa roda de amigos, o papo desencontrado de sempre, repentinamente, convergiu para a agitada alameda do amor. Assunto que sempre desperta o interesse, já que os ânimos ficam acirrados quando as opiniões partem de gente que há muito perambula por este mundo e que durante quase todo esse tempo vem desfrutando da companhia de alguém que conhecera lá nos primórdios da juventude. E foi justamente aí, nesse frenesi de conversas altas e atropeladas, que ocorreu-me indagar sobre as paixões de cada um. Só para apimentar os ímpetos. Não demorou, então, para que um deles dissesse que escolhera bem profissão, especialidade e o amor com quem haveria de passar o resto da vida. Logicamente que não perdi tempo em chacoteá-lo no quesito casamento, uma vez que é constante o anseio do gênero masculino em fazer troça de alguém que se gaba de ter entregue a vida ao aconchego familiar, normalmente consagrado pelos sagrados laços do matrimônio. Mesmo assim, irresoluto, meu amigo de pouca data, mas de grande apreço, ratificou sua determinação de sempre adubar sua relação para que continue assim, cheia de alegria e prazer por ter ao seu lado a mulher amada.

Ri e não dei o braço a torcer, sobretudo, quando outra amiga, que presenciava a conversa, decide intervir com a revelação surpreendente de que conhecera o marido na adolescência e que, apesar do considerável período transcorrido desde então, ainda é capaz de amá-lo como antes. Enriqueceu, pois, com esse comentário, o meu pensamento que já pendia para uma reflexão acerca do casamento que milagrosamente passa das bodas de prata. Sucumbi, então sem demora, à provocação e tratei logo de deitar a pena neste papel para redigir algumas linhas a respeito.

Súbito, percebi que não fazia sentido tanto espanto pelo que acabava de ouvir, uma vez que também divido a minha cabeceira com alguém que está ao meu lado há quatro décadas! Imagine! Por quatro décadas inteirinhas, dividimos, eu e ela, a cama, a mesa e a vida! É, sem dúvida, muita estrada! E, a exemplo do meu amigo, não consigo imaginar esta minha vida sem ela. Sua ausência, por certo, que abriria um buraco de um imenso vazio, que me tragaria feito poeira.

E a discussão acabou por inquietar-me ainda mais ao ouvir do meu amigo, que escolhera bem a mulher, simplesmente porque afinidade é o que não falta à mesa do casal, ingrediente, que ninguém duvide, essencial para a longevidade do casamento. Entusiasmado, revelou ainda que faria tudo novamente, caso lhe fosse concedida nova oportunidade de escolha. Sujeito de fibra este que não vacila em suas decisões, sobretudo as de caráter matrimonial, que normalmente implicam em muita dor de cabeça. Cabra macho!

Fico, pois, admirado com amores assim, que resistem ao tempo e às suas intempéries. Como é o caso da amiga que não poderia ali perder a oportunidade de falar do seu amor pelo marido, que encontra reciprocidade desde a adolescência de ambos. Céus!

A bem da verdade que todo esse espanto deveria estar voltado para os modelos atuais de casamento, que já começam com data marcada para terminar. É a modernidade! Quem, afinal, nos dias de hoje, leva a sério o velho clichê ‘até que a morte os separe’? É, sem dúvida, curtíssimo o prazo de validade desta união atualmente. São os novos tempos esses, os tempos do imediatismo, da paciência miúda, da pressa, do anseio pela renovação, do culto à liberdade... E ninguém é culpado por isso, por ter se desvencilhado de velhos e ultrapassados modelos.

Apesar de que, em meio a tanta novidade, é preciso dar a mão à palmatória e congratular aqueles que percorreram uma longa estrada ao lado de uma única pessoa e ainda são capazes de reconhecer a sua importância, agora e sempre. E só quem viveu essa extraordinária aventura é capaz de compreender isso.



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