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Janelas


Creso Peixoto

25/11/2017 | 07:00


Se você estiver lendo este artigo em um ônibus, enormes janelas permitem observar a vista externa, enquanto se aguarda o ponto. A leitura é passatempo enquanto se recebe informação e conhecimento, natural em viagens do transporte público, quer seja ônibus ou trem. Caso esteja ainda tomando o café da manhã, a pressa para sair obriga a escolher temas relevantes. Pena a falta de espaço na mesa para folhear... Um prazer que se associa a um ruído que até em sites jornalísticos se reproduz. Ainda não me acostumei a ler jornais em celular ou tablets: sinto maior credibilidade nas letras impressas do grande papel do que nas telinhas. No celular, a janelinha parece exame de vista, o da placa na parede das letrinhas impossíveis de se ler.

Janelas fazem parte inquestionável dos transportes. Já pensou em viajar e não poder acompanhar o trajeto? Passageiros que viajam pouco de avião preferem sentar ao lado de janelas. Parece até mais seguro, além da maravilhosa vista. Em breve, os céus terão novamente os aviões supersônicos. Lembra-se do Concorde? Os novos não terão janelas para passageiros. Estas exigem reforço na estrutura. Supersônicos voam em altitude elevada, onde o ar externo é tão rarefeito, que o reforço estrutural seria de custo excessivo, para compensar a pressão do ar interno. A solução é instalar telas de computador no lugar de janelas, com reprodução das imagens externas, para evitar a horrível sensação de lugar fechado, a tal da claustrofobia. Já dá para pensar se vão mesmo oferecer imagens reais ou, em caso de turbulência e efeitos atmosféricos sérios, vão projetar imagens de passarinhos voando ao lado e em céu azul, enquanto constrangidos atendentes de bordo tentam transparecer que está tudo bem.

A palavra janela vem de januella, diminutivo de janua, que, por sua vez, quer dizer porta, na língua-avó, Latim. Realmente, janelas servem para saída de emergência em qualquer veículo. Nos aviões e ônibus vem escrito, mas em carros nem precisa. Caso a porta não abra depois de grave acidente, qualquer janela serve.

Janela é ventana em Espanhol, porque permite a circulação do ar. Em Inglês, window, que tem origem em wind eye, que se pode traduzir livremente como olho no vento, palavra de origem no século 13. Felizes cachorros passeiam com cabeça para fora do carro. Creio que o vento e as imagens que passam rápido fazem a sua felicidade, um animal que nos faz companhia mas passa o dia todo olhando um pote e casinha que nunca mudam. Contudo, há de se observar o risco ao animal e a possibilidade de multas. Pelo art. 235 do CBT (Código Brasileiro de Trânsito) é infração transportar em parte externa ao veículo, multa grave. Animais no colo, podem gerar risco na condução, multa média pelo art. 252 do CTB.

Janela é fenêtre, em Francês. Como não existiam vidros, eram pequenas aberturas nas paredes para entrar ar, evitando muito frio. Deu a palavra fresta, em Português. Imaginemos como deviam ser inadequadas as casas de antigamente. Já a falta de janelas nos furgões para transporte de presos minimiza riscos. Mas até que ponto não gera ambiente a garantir sensação de pena ao considerado criminoso?

O futuro de muitas viagens já é praticado em outras janelas. O tão conhecido Windows, janelas em Inglês, um programa de computador que popularizou o uso daquilo que se achava coisa de cientista maluco, até aos anos 1990. Qualquer um consegue usar computador na atualidade. Em vez de ir ao banco, muitos pagam contas via minúsculo computador, os smartphones. Já é possível fazer compras no supermercado. Contudo, como evitar uma laranja murcha, antes de colocar no saquinho? Mãos mecânicas já podem ser controladas à distância, enquanto o comprador está em sua casa, observando uma imagem holográfica, uma projeção imaginária da laranja, que aparece à sua frente. Parece que finalmente a montanha de carros nas ruas terá seu fim. Será? 

Creso Peixoto é mestre em Transportes e professor da FEI.   Email para esta coluna: cresopeixoto@gmail.com



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