Fechar
Publicidade

Quarta-Feira, 13 de Dezembro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

dmais@dgabc.com.br | 4435-8396

Riqueza de arte centenária

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Símbolo de cultura oriental, animações japonesas continuam a causar impacto em todo o mundo


Luís Felipe Soares

26/11/2017 | 07:10


A animação japonesa é um dos elementos mais marcantes da cultura oriental. A riqueza de detalhes e a pluralidade de produções para diferentes faixas etárias são só algumas das características da linguagem, cuja temporada atual tem sido festiva por seu centenário, uma vez que foi em 1917 que ocorreu o lançamento do curta-metragem The Sword Dull, considerado o primeiro material do gênero. O trabalho desenvolvido ao longo do tempo viaja entre inspirações de lendas e folclores, contos futuristas e observações de detalhes do cotidiano contemporâneo, só para citar algumas bases para as histórias. E essa obra trabalhada do outro lado do planeta continua a causar impacto no mundo ocidental.

O mais recente projeto acaba de chegar aos cinemas. Trata-se de Por Que Vivemos, com algumas cópias espalhadas por salas de São Paulo. Baseado em fatos reais, o longa-metragem explora a popularização do budismo no Japão há cerca de 500 anos. Reflexões filosóficas acompanham o drama do camponês Ryoken, buscando forças para se recuperar da morte da mulher com a ajuda dos ensinamentos do Mestre Rennyo. Por se passar no meio do período de guerras do país no século 15, momentos de ação também fazem parte da animação. 

É em seu teor humanista que Por Que Vivemos tenta desenvolver laços com os espectadores. A característica é comum nas obras orientais, com personagens lidando com dilemas normais ao dia a dia das pessoas, casos de perdas, sofrimento e angústia. “As animações japonesas causam impacto na medida em que trazem um quê exótico e, ao mesmo tempo, são mais realistas, pois os personagens morrem, são mais humanos, tem crises existenciais”, explica Janete Oliveira, professora assistente da UERJ e responsável por curso de extensão de Animação Japonesa e Literatura na PUC-Rio. “É uma mudança de paradigma comparando-se com os heróis norte-americanos e personagens Disney. A animação japonesa traz uma complexidade de personalidade que fascina os ocidentais, como Evangelion (da década de 1990), que mistura religião, psicologia, sexo e violência.”

Além de ter o respeito da crítica, as obras também contam com o apoio dos fãs. Não à toa as exibições nas telonas rendem milhões de dólares para as produtoras. Neste ano, os japoneses viram quebra de recorde de bilheteria com Your Name, cuja viagem pelo mundo rendeu mais de US$ 355 milhões, número que o coloca no posto de animê de maior bilheteria da história (ultrapassando o oscarizado A Viagem de Chihiro, de 2001), sem contar o recorde de filme japonês de maior arrecadação de todos os tempos. A direção é de Makoto Shinkai, responsável por títulos como O Jardim das Palavras e Cinco Centímetros por Segundo. O sucesso despertou interesse de Hollywood e uma versão norte-americana já foi anunciada para breve pelas mãos de J.J. Abrams. O longa sobre dois adolescentes que trocam de corpos passou pelo Brasil em sessões especiais nos cinemas em outubro. 

“Sem dúvida a qualidade visual dos filmes de Shinkai são indiscutíveis. Your Name teve a participação de Andou Masashi como diretor de animação e caracter design que, coincidentemente trabalhou no (ex) campeão de bilheteria A Viagem de Chihiro, de Hayao Miyazaki”, conta a especialista, citando que o filme mescla elementos presentes no trabalho mais famoso de Miyazaki e na obra do artista Mamoru Hosoda (com experiências em franquias como Digimon e Sailor Moon), questões religiosas xintoístas, referências da literatura japonesa clássica e a linguagem usada nas séries de TV atuais. “Bem como se mantém fiel ao fio condutor dos seus outros filmes: encontros e desencontros amorosos na vida urbana japonesa e as angústias decorrentes dessa busca”, completa Janete.

Os brasileiros continuam de braços abertos para esse tipo de cultura vinda do Oriente. Não à toa os complexos de cinema guardam espaço em sua programação para aguardadas animações. Foi o caso de Pokémon O Filme 20: Eu Escolho Você!, que celebrou as duas décadas do lançamento do seriado. O tom nostálgico da franquia fez com que vários jovens lotassem as poucas exibições especiais sobre a reinterpretação do início da amizade entre Ash e Pikachu, sem contar a nova geração de fãs. O Cartoon Network coloca a animação em sua grade no dia 8, às 20h. 



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados