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Desalento


Rodolfo de Souza

16/11/2017 | 07:07


Segue numa calmaria entediante a vida debaixo desta imensa lona verde-amarela. Enquanto os depoimentos, delações, julgamentos, e engavetamentos prosseguem, a nação continua no seu passo lento, como se nada de mais estivesse acontecendo sob seu lindo céu de anil. Sua economia rasteja, impulsionada pela conversa fiada de quem luta para sobreviver no poder. Então, a rica nação morosa é espoliada e toda a sua riqueza, utilizada para este fim: manter respirando o poder que agoniza. E ele torce desesperadamente para que ela cresça por si só e ainda lhe conceda os louros pela vitória. Sabe que o seu gigantismo lhe permite continuar a caminhada, ainda que meio manca. Afinal, qualquer economia de nação sem comando é assim, manca. Ah! Que inveja da China!

Mas aqui não é lá. Se fosse, cabeças rolariam por atacado e há muito estariam cerradas as cortinas do tétrico espetáculo circense. É assim que a coisa funciona, lá. Mas aqui é diferente. Talvez seja igual nos métodos escravagistas, isto sim.

De qualquer maneira, aqui tudo progride numa normalidade preguiçosa. O bocejo, aliás, é inevitável, assim como aquela vontade danada de puxar a rede, dar com a mão para espantar a mosca com seu zumbido chato e cair no sono! Talvez assim, quem sabe, se possa esquecer que essa vida segue na esteira da incerteza e que ameaça derrubar quem por ela caminha, situação que, inclusive, faz lembrar o tempo em que se vivia sem TV e internet, vá lá um rádio velho de recepção muito ruim. Pouco ou nada se sabia a respeito dos rumos que a vida tomava e haveria de tomar.

Consequentemente, pouco importava ao povo daquele tempo a existência funesta que levava, desprovida de um fiapo que fosse de expectativa. Não conhecia, afinal, nada diferente daquilo. E o ostracismo oriundo da desinformação tornava o homem vítima da própria ignorância, feliz, no entanto, por viver aquela vidinha besta, conformado com o nada que lhe era devido.

Nos dias atuais, contudo, em que a informação é farta, curiosamente continua imerso no obscurantismo esse povo moreno que jamais se cansa de caminhar cabisbaixo para o chuveiro. Parece até que não sabe o que ocorre bem diante dos seus olhos míopes. Ou finge não perceber, o que é mais cômodo, mais confortável.

O dia hoje amanheceu também sem muita vontade de amanhecer. Está fechado e a garoa realça o seu mau humor que estranhamente está alinhado com o espírito geral de desânimo e de sonolência. Não há segurança, não há trabalho, não há moradia, não há esperança. Há miséria, há retrocesso, há corrupção, há bandido que deita e rola nesse grande terreiro varonil entregue à míngua. Baratas e ratos são mesmo assim: sempre tomam posse de casa abandonada. E a hipocrisia soberana procura disfarçar toda essa sujeira, empurrá-la para debaixo do tapete, e consegue. A mídia vendida procura enfiar-nos goela abaixo a verdade fabricada de que tudo caminha numa normalidade impecável. Logicamente que se levarmos em conta que se a definição da palavra diz que normal é aquilo que faz parte do dia a dia, que é comum, então de fato vivemos uma normalidade inquestionável. Portanto, é indiscutível que a tragédia que assola este país, há algum tempo, já faz parte desse cotidiano atroz e que, por isso, transita despercebida por entre as pessoas.

Um movimento aqui e um protestozinho ali, denotam, volta e meia, alguma reação. Parece até que o povo ameaça acordar do seu sono letárgico. Mas fica nisso: volta a dormir enquanto os ratos permanecem no poder da despensa, devorando todo o queijo que deveria ser divido com a população. Imagine!  



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