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O trabalho enobrece


Rodolfo de Souza

09/11/2017 | 07:00


 Dizem que o trabalho enobrece, que o trabalho é que constrói e tem construído este mundo, e fez dele o que é hoje. Logicamente que ninguém há de duvidar disso, considerando que sem ele não teria o que comer, o que vestir e onde morar essa gente toda. Confesso sentir certa aversão pela frase em si, talvez por ter marcado a história com a condução das massas. No entanto, é válida se levarmos em conta que a criação de tudo isso não seria possível sem o suor da cara de quem pula cedo durante toda uma vida.

Apesar de que, há uma ideia que se contrapõe a este conceito, uma ideia meio equivocada, concebida e disseminada pela mente humana atual, que relega ao esforço do trabalho a impressão de perda de tempo, dispêndio de energia e paciência, e que o bom-senso manda mesmo viver de papo para o ar, desfrutando das boas coisas da vida, sem se desgastar com o enfadonho labor. Quem não gostaria de viver assim, feito vereador, deputado, senador, delator e demais profissionais que se apresentam na repartição somente para marcar o ponto? Marcar o ponto? É verdade!

Isso é coisa do passado, atribuição que sobrecarregava o corpo de quem sequer aparecia no trabalho! Acho até que, por causa disso, decidiram retirar o relógio, afinal de contas, ganhar muito dinheiro já requer demasiados esforços físico e mental do coitado.

Entretanto, a despeito dessa ilusão que veste a mente ociosa com um véu que a impede de enxergar com clareza, é preciso dar a mão à palmatória: para se refestelar com tanto privilégio, é preciso que outros cuidem do serviço pesado, não é? Senão, não há privilégio para aqueles que passam ao lago quando o assunto diz respeito ao batente.

E digo mais: pouca gente se dá conta de que pegar na massa em troca do minguado salário tem também outro revés, tão benéfico quanto o próprio ordenado. Refiro-me obviamente à atuação do indivíduo que passa o tempo envolvido com o seu ofício, preenchendo de preocupações, decisões e responsabilidades uma mente em constante ebulição por causa disso tudo, e pela atuação, propriamente dita, que leva a pessoa a ter a consciência de que é peça fundamental num segmento qualquer, contribuindo para que as engrenagens desse mundo possam continuar a movê-lo e, com ele, a humanidade. E, pasme, isso faz bem!

Por mais que relute em aceitar, amigo e preguiçoso leitor, isso nos faz bem! Definitivamente não é a atuação de quem nada faz, que movimenta esta máquina, mas o trabalho como um todo.

Na verdade, estive tentado a escrever estas linhas ao observar uma colega, cujo empenho em realizar com presteza a sua função, serve de exemplo aos demais que passam a vida reclamando, como se não fosse parte integrante dessa luta os perrengues do dia a dia.

Logicamente que funções e profissões se diferem. Disposição para executá-las também. Mesmo assim, chego a apostar na possibilidade de se encontrar gratificada ao fim do dia a pessoa que realiza com dedicação suas tarefas diárias, como é o caso da colega que me encheu de inspiração e me levou a escrever este texto.

Parabéns a ela e a todos os que arregaçam as mangas e não tomam como exemplo a vagabundagem crônica que virou modelo de bem viver nesta Pátria de meu Deus.



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