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Mente perturbada


Rodolfo de Souza

26/10/2017 | 07:00


 Todo cérebro em razoável estado de funcionamento tem sérias dificuldades para entender o gesto torpe que leva alguém a sacar uma arma de fogo e meter bala nos companheiros de festa, de escola, de balada, de transporte... Em quem quer que seja. Do nada. O que vai pela cabeça do atirador nem mesmo ele é capaz de definir. Provavelmente nem pense a respeito, uma vez que não deseja ver interrompido por bobagem o seu objetivo. Sabe que dispõe de uma arma, mas ignora que, naquele momento em que planeja levá-la ao destino onde terá lugar o seu intento, é ela quem está no comando, quem o domina. Afinal, são pensamentos miúdos de mentes, normalmente aliciadas por ideais nefastos que estão sempre sujeitos às ideias prontas e aos velhos conceitos que distorcem os valores dignos de alguma consideração. E aflige pensar que o mundo está repleto disso. Parece mesmo que afloram com mais frequência, dia a dia, feito erva daninha.

Indiferente, pois, a esses valores, segue o facínora, entregue à força que o dirige para o local em que se dará o evento. A máquina, concebida para matar, é sem dúvida senhora do seu destino e influencia sua imaginação doentia que faz dele um super-homem, um astro para quem todo o mundo, logo mais, deverá se curvar, porque ele a possui e, por meio dela há de provar a todos a sua força. Isso sem dúvida fará dele uma personalidade que jamais deixará as lembranças das pessoas, aterrorizadas e cheias de revolta. E o objeto temido está com ele, sujeito abobalhado prestes a fazer da violência a bandeira pela qual irá provar a sua coragem e a sua determinação em levar a cabo um objetivo, cujo significado não ficou bem claro na sua cabeça. Logicamente que evita pensar no que virá depois. É frio e nesse momento considera-se acima do bem e do mal, de qualquer lei ou da misericórdia. Nada justificará o seu procedimento, em tempo algum. Nem isso ele considera, porque não tem olhos para a realidade que o cerca. Tudo o que consegue sentir é o poder que a máquina lhe oferece e que o transforma, sem que perceba, em mero fantoche do seu poder.

E o ataque gera pânico. Ninguém é capaz de entender ou acreditar no que presencia. Os estampidos ensurdecedores, os gritos, os amigos estirados no piso frio, o sangue que verte... Quadro que transtorna o ser ainda muito jovem, para quem a fantasia é a sua verdade, é a aventura para a qual deve voltar-se sem medo de sonhar. Tragédias assim, só mesmo nos noticiários que finge não ouvir.

Mas ali, em sala de aula, na sua sala, o impacto da cena é a dura realidade que lhe cospe na cara a sua verdade. Aquela que ficou no canal de TV, que o jovem se negou a encarar simplesmente porque o noticiário costuma falar somente da pimenta que arde no olho do outro.

Mas ali não, ali tudo é real, inacreditavelmente real! E até que braços fortes venham para deter o monstro devorador de sonhos, tudo é agonia.

Ao final, o que engendrou tamanha dor não teve sequer a dignidade de dar cabo da própria vida, uma vez consumado o fato. É de praxe, afinal, esse ritual, embora deixe sempre o gosto amargo da frustração de não vê-lo morto antes do episódio.

No caso do terrorista nacional, no entanto, orgulho de toda a nação, a Justiça recolheu o mentecapto e já promete livrá-lo em três anos. A justificativa é a de que não atingiu ainda a maioridade. E às vítimas e à sociedade, resta, então, engolir o sapo de que para matar não é necessário atingir a maioridade.



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