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Diadema tem 2ª maior taxa de homicídio entre jovens do Estado

EBC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Estudo da Unicef mostra que 17 adolescentes
de 12 a 18 anos foram assassinados em 2014


Daniel Macário
Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

12/10/2017 | 07:00


 A cada sete dias um adolescente com idade entre 12 e 18 anos é vítima de homicídio no Grande ABC. A triste realidade, apontada em levantamento divulgado pela Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) ontem, é pior para moradores de Diadema, a segunda cidade mais perigosa do Estado, conforme o IHA (Índice de Homicídios na Adolescência), referente ao ano de 2014.

De acordo com o estudo, há três anos, 49 adolescentes da região foram mortos antes de completar 19 anos, sendo 17 deles oriundos de Diadema. O número equivale à taxa de 2,81 óbitos por 1.000 habitantes e coloca o município atrás apenas de Itaquaquecetuba, na Região Metropolitana, (onde foram contabilizadas 19 mortes – taxa de 3,14), entre as cidades mais vulneráveis para esta população no Estado.

Entre as seis cidades do Grande ABC avaliadas, (Rio Grande não participa do levantamento, realizado com municípios com mais de 100 mil habitantes) apenas São Caetano não registrou nenhuma vítima por homicídio na faixa etária dos 12 aos 18 anos em 2014. Santo André perdeu 15 adolescentes naquele ano; São Bernardo, 12; Mauá, três; e Ribeirão Pires, dois.

Quatro cidades apresentam índice de violência acima do ideal, ou seja, com mais de uma morte para cada grupo de 1.000 habitantes (confira série histórica ao lado). As exceções ficam por conta de São Caetano, que tem índice zero, e Mauá, que registrou média de 0,48.
“Os dados mostram que a rede de proteção social do Grande ABC ainda é frágil e não consegue evitar a morte dos adolescentes”, avalia o coordenador da Comissão da Criança e do Adolescente do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana) Ariel de Castro Alves.

De acordo com o especialista, o cenário “alarmante” da região pode ser atribuído a diversos fatores, dentre eles “as crises econômica e social, o desemprego. Cortes de recursos em programas sociais contribuem para essa situação”. No caso específico de Diadema, que já chegou a ser uma das mais violentas do País, houve evolução nos últimos 20 anos. “A redução de índices de violência ocorre por meio de políticas públicas, principalmente Educação, Cultura e Assistência Social”, destaca.

Segundo o estudo da Unicef, adolescentes negros do sexo masculino continuam sendo os mais vulneráveis. O levantamento aponta ainda que as circunstâncias que prevaleciam em 2014 não mudaram rapidamente e, com isso, a projeção é a de que cerca de 43 mil adolescentes sejam vítimas de homicídio em todo o País entre 2015 e 2021. “É preciso investir em políticas sociais, dando atendimento digno para adolescentes em equipamentos de Educação e Saúde. Se conseguimos salvar nossas crianças quando o Brasil reduziu a mortalidade infantil, por que não temos conseguido salvar os jovens?”, questiona Luciana Phebo, coordenadora da plataforma dos centros urbanos da Unicef.

Projeto de proteção regional não saiu do papel

Apresentado em 2009 aos representantes do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, projeto para criação Programa de Proteção à Criança e ao Adolescente Ameaçado de Morte regional está longe de se tornar realidade.

A proposta foi engavetada em 2011, quando o Consórcio e o Estado firmaram convênio para que a administração estadual ficasse responsável pela demanda de enfrentamento da letalidade infantojuvenil nas sete cidades. Atualmente o programa conta com 47 pessoas inseridas, entre crianças, adolescentes e familiares, sendo a maior parte delas do município de São Paulo.

Apenas Santo André e São Bernardo, dentre as sete cidades, destacaram atender jovens em situação de vulnerabilidade por meio de programas  de atenção integral à família. 



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