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Crianças brincam em 'cidade cenográfica'

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Espaço que pertenceu à Vera Cruz virou
parque temático por conta da novela 'Redenção'


Miriam Gimenes

12/10/2017 | 07:00


Já se passaram quase cinco décadas desde que o último capítulo da novela Redenção, da extinta TV Excelsior, foi televisionado. O folhetim, escrito por Raymundo López, que fez história por ter sido o que ficou mais tempo ininterrupto no ar – foram quase dois anos (de 1966 a 1968), com 596 capítulos –, não foi apenas um marco na história da televisão brasileira: rendeu também a primeira cidade cenográfica do País, construída no Jardim do Mar, em São Bernardo.

Com ares de cidade do Interior, o cenário de Redenção tem igreja, delegacia, prefeitura, fórum e até uma estação de trem. Segundo o doutor em Teledramaturgia Brasileira e Latino-Americana da USP Mauro Alencar, esta novela rendeu legados não só para o Grande ABC, como também para o País. “Vivíamos um período de colonização de produtos norte-americanos e hispânicos, vindos sobretudo de Cuba e Argentina. Independentemente da qualidade ou do sucesso (como o seriado Perdidos no Espaço e a novela O Direito de Nascer), foi fundamental o êxito absoluto de uma produção nacional para o embasamento da indústria do entretenimento no Brasil. E para São Bernardo ficou um legado – a cidade cenográfica – transformado na Cidade da Criança.”

É que depois do término das gravações o terreno, que havia sido cedido pelo município aos Estúdios Vera Cruz, voltou para as mãos do poder público, que decidiu, então, inaugurar o parque temático, ainda em 1968. “Muitas pessoas iam lá (na cidade cenográfica) por curiosidade, porque foi uma novela de muito sucesso na época, tinha o Francisco Cuoco no papel de galã. Daí surgiu a ideia de fazer o parque”, lembra um dos primeiros permissionários do espaço, Nerces Gaspar Alexandre.

Ele, que era o responsável pelo maior número de brinquedos da Cidade, ficou lá de 1973 a 2005. “Recebíamos gente de Norte a Sul do País, chegava a ter 160 ônibus de excursão em um fim de semana. As crianças adoravam. Em plena ditadura (militar) havia uma eleição de prefeito mirim da Cidade, que funcionava como exemplo de democracia naquele momento difícil”, conta. As eleições, feitas geralmente no Dia das Crianças, determinava o chefe do Executivo pelos próximos 12 meses.

E é justamente sobre o sonho de ocupar a cadeira mais importante da prefeitura do local o tema escolhido pelo escritor Manuel Filho, de São Bernardo, para o livro O Menino que Queria Ser Prefeito, que foi selecionado pelo Proac (Programa de Ação Cultural), da Secretaria de Cultura do Estado, no ano passado. “Gosto muito da Cidade da Criança, passei minha infância lá, queria contar essa história.”

Na obra, ele usa de um personagem fictício – o garoto que quer ser prefeito – para narrar a história, baseada em fatos reais, do parque, da novela Redenção e um pouco da Vera Cruz, vizinha do espaço. Ele conta, entre outras coisas, que o cenário original do folhetim era de madeira, foi derrubado e reconstruído de forma idêntica, mas de alvenaria. “Se tivesse mantido as paredes de madeira não teria sobrevivido tanto tempo”. O livro deve ser finalizado no próximo mês e entregue para a Secretaria de Cultura, para só então ser publicado.

VERA CRUZ

Vizinho à Cidade da Criança, o Pavilhão Vera Cruz está sendo usado, até o fim de novembro, para a gravação de versões latino-americanas do game show norte-americano The Wall, da Endemol Shine Brasil. “Nossa equipe e as produções internacionais que estão gravando as versões do formato no País estão muito felizes com a estrutura do pavilhão. Ele está localizado em ótima área e todas as necessidades de manutenção foram prontamente atendidas pela equipe responsável”, diz a diretora geral da Endemol, Juliana Algañaraz. Que avisa: “O contrato ainda pode ser prorrogado por mais tempo, dependendo das negociações do formato”. 


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