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Só para coroas


Rodolfo de Souza

05/10/2017 | 07:00


 Dia desses tiramos, eu e minha esposa, uma tarde para empreender viagem no tempo. Ouvi dizer, aliás, que é cafona usar ‘esposa’ para se referir à mulher. Também que ‘cafona’ é termo em desuso. Ah! Bolas para o modismo cafona que despreza o romantismo e o bom gosto!
O que importa mesmo é que a máquina utilizada para o tal deslocamento, um tanto científico, se levarmos em conta o cinema, foi mesmo o aparelho de TV. Isso, aquele vulgarmente conhecido como televisão! Acontece que os mais modernos estão conectados à rede, assim como todos ou pelos menos a maioria dos cérebros atuais. Por esta razão foi possível viajar como se estivéssemos em uma montanha-russa, ora subindo devagar, ora descendo à toda, ora girando em looping... Fato é que, por meio dela, nos dispusemos a visitar os dourados anos em que nossos dias pareciam um eterno sábado e quando o romantismo era senhor dos nossos sentimentos. Sei que pode soar piegas nos ouvidos de quem ainda não alcançou os 30 e, por conseguinte, pouco conhece das virtudes de décadas passadas em que se usava pedir para dançar quando se estava em um baile. Baile, diga-se de passagem, é outro termo que aparenta um disco de vinil aos olhos das gerações atuais, velharia que foge à sua compreensão. A garotada que ascendeu à adolescência agora nos anos 2.000 por certo que desconhece o significado de baile, de pedir para namorar, de jamais pronunciar palavra de baixo calão perante uma menina... Parece mesmo coisa que vem lá dos longínquos anos em que os Beatles engatinhavam.
Logicamente que o amigo leitor que divide comigo os anos de estrada há de se lembrar de toda essa mágica que nos sacudia e ainda nos faz de gato e sapato todas as vezes em que se apresenta em nossas vidas, normalmente por meio da música. Não há como deixar de se considerar privilegiado o indivíduo que viveu tudo isso, afinal.
Aquele início de noite foi, portanto, dedicado a ela, à música de outrora que abrilhantou nosso mundo e que, sem a qual, não imaginaríamos ser possível sobreviver, embora continuemos nossa caminhada por estas bandas. Só o romantismo ligado a ela é que sucumbiu à estupidez dos tempos modernos. E somente quem se lançou à incrível aventura do romance sabe do que eu falo.
Vimos, pois, naquele fim de tarde filmes de grupos antigos que tanto embalaram os corações apaixonados de então. Não foi possível, inclusive, conter os ímpetos e o peito permaneceu arfando, permitindo-nos ouvir as batidas apressadas, diante de cada melodia.
E não há como se submeter a tamanho torvelinho de sentimentos sem se chatear, imaginando em extinção algo tão sublime. Mas por quê? – dirá o ansioso leitor.
Porque, meu caro, os jovens de hoje desfrutam de um momento todo ele dedicado à vulgaridade. Sim, isso mesmo! Palavras de baixo calão protagonizam os diálogos de meninos e meninas. Foi-se o respeito tão cantado naqueles tempos em que se suava a camisa quando se pretendia conquistar uma garota. Daí o termo conquista. Elas dificilmente se atiravam no colo da rapaziada, como é comum observar hoje. Não há, pois, a emoção do gol quando o jogo é feito de muitos pontos. Futilidades e banalidades povoam, pois, os encontros sociais de uns e outros, razão pela qual não consigo imaginar um jovem dos dias atuais que venha a sentir apertar-lhe no peito a saudade do seu par, ao ouvir uma música que dançaram juntos em anos passados. Estabelecer uma relação entre esta música e um romance é absolutamente inconcebível, simplesmente porque não há romance. Possivelmente música, embora carente dos temperos dos bons tempos.



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