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Rodovias do desserviço


Creso Peixoto

23/09/2017 | 07:00


Feriado, rodovia e serra são sinônimos no dicionário urbano. O ‘pai dos burros’ engorda: congestionamento e pedágio. Com o índice de motorização explodindo, acrescentam-se morte e prejuízo. Cada vez mais veículos, menos estradas novas ou readequadas e mais motoristas que não creem na sinalização. Trata-se de receita tão inflamável quanto à do trinômio Kim Jong-un versus míssil versus Trump. Os acidentes de trânsito em 2012 acarretaram 44.812 mortos, uma Hiroshima a cada quatro anos.
Falar que a solução para problemas do trânsito é o transporte público já é bordão. Por outro lado, até ocorrer tal fato, há de se oferecer rodovias novas e velhas com readequação.
Uma relevante estatística desponta neste cenário. Graves acidentes com ônibus em rodovias precárias. Nos últimos anos, regiões serranas são palcos de tenebrosos acontecimentos. Não há justificativa para que o poder constituído não intervenha. Não se justifica cortar recursos para melhorias efetivas. A prioridade é preservar a vida e sua qualidade. O impacto desses acidentes transcende qualquer limite que se possa dizer razoável. Destroem-se vidas, acabam famílias, apagam sonhos.
No trecho conhecido como ‘Serra da Morte’, da Rodovia Candido Portinari, Rifaina, Interior de São Paulo; 20 jovens perdem a vida. Era 9 de maio de 2002, quando o ônibus, desgovernado na descida, abrigava passageiros em silêncio. Morte pressentida, veículo voa precipício abaixo.
Em 8 de dezembro de 2015, na rodovia RJ 155, entre Barra Mansa a Angra, 44 feridos, oito graves e uma criança com mão amputada.
Rodovia Mogi-Bertioga, outra manchete em 8 de junho de 2016. Morrem 18 jovens, em rodovia com tráfego diário de 10.590 veículos, típico de rodovias de elevado porte. O acidente aconteceu em trecho de inclinação 8%, valor 33% maior que o máximo de norma: deveria ser de até 6%. Ao fim deste trecho, há curva de raio 90 metros; 2,5 vezes menor que o raio mínimo, 230 m; para classe de rodovia de alta demanda. O citado excesso de velocidade tira o holofote da via. Transparece que a rodovia não contribuiu, mesmo tendo sido palco de outra tragédia com ônibus em 2006. Tombado, gerou três mortes.
Acesso de Trindade, Paraty, Rio de Janeiro, 6 de setembro de 2015: 15 mortos, no conhecido ‘Deus me Livre’, rampa de impressionantes 15% de inclinação, 50% maior que a rampa máxima de 10%, para rodovias de baixo tráfego.
Rodovia Oswaldo Cruz, SP 125. A dois quilômetros do fim da serra, três mortos no micro-ônibus. Um 15 de setembro com mais tristezas. Com o motorista detido e citação de falta de autorização de uso da via, desvanecem novamente esperanças de melhor acesso à bela cidade onde Anchieta escrevera seus versos.
Curioso é observar que há linhas de ônibus em todas essas vias! Basta autorizar que a segurança vem?
Todos estes acidentes ocorreram em rodovias de curvas fechadas e descidas íngremes. Quando estas foram projetadas o baixo volume de tráfego as classificava em condição adequada, apesar do acesso de Trindade ter ganhado status de pavimentada em traçado traiçoeiro. A Mogi-Bertioga é pior. No seu berço de projeto já deixava dúvida se deveria ter sido feita ou não.
Não basta saber o culpado de cada um destes acidentes. Descidas mais íngremes que as preconizadas por norma induzem pisar no freio para segurar o veículo, mesmo quando se cumpre a premissa de descer engrenado e com marcha forte. Uma prova?
Veja o número de calotas nestas rodovias. Os freios esquentam em excesso, a roda dilata e calotas, que são de pressão, voam!
Há de se estabelecer grupo de estudos para análise de todas as rodovias que foram construídas para carros que eram mesmo carroças. Veículos da atualidade são mais seguros. Os mais novos têm o conhecido freio de sistema que impede o travamento das rodas, projeto de lataria a absorver choques. Contudo, não mudam as leis da Física. Rampas acentuadas e curvas fechadas compõem receita do inferno. Apesar de gerar anjos que se vão antes de seus pais. Nada pior. 



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