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Batalha nossa de cada dia


Rodolfo de Souza

07/09/2017 | 07:00


 Minha amiga é professora do primeiro aninho. Missão difícil essa de conduzir o aluno ao limiar de uma vida repleta de letras, números e possibilidades. Por isso, tem todo o meu respeito o profissional que se aventura a introduzir a mente ainda muito verde nesse vasto mundo em que o conhecimento a aguarda para moldá-la. É ali, afinal, que deverá crescer um dia, e esse crescimento virá pela maturidade, aquela que nunca vem por meio da passagem do tempo, mas pela inquietante busca daquilo que fará desta mente entidade única, dotada de visão capaz de enxergar um pouco além do horizonte comum. E isso a professora sabe. E provavelmente por ter atingido essa fronteira, é que persiste resoluta.

O seu desafio começa, pois, quando se depara com um ser de personalidade toda ela formada à base de carinho, muito carinho, sentimento puro que se nega a revelar ao rebento que há passos a seguir em cada etapa de sua vida que não é feita só de rosas. Obviamente que ele, em seu parco saber, ofereceria resistência a qualquer voz de comando, caso houvesse uma. Isso porque privilegia o caminho mais fácil, que tem como prioridade o brinquedo e a liberdade de expressão que se dá por meio de gritos agudos, correria, pulos, empurrões, tropeços e agressões que vão desde a posse da coisa alheia até o emprego dos punhos para mostrar quem manda no pedaço. Arma-se, inclusive, da choradeira quando o objeto de desejo lhe é negado pelas regras que ainda não compreende, porque não lhe foram apresentadas lá no ambiente familiar. E é para este ser humano de pensamento pequenininho que a professora deve dedicar todo o seu empenho, buscando aquilo que lhe é sugerido buscar, em reuniões pedagógicas ou em cursos de capacitação: a estratégia. Isso mesmo, o termo mais ouvido no ramo educacional. Mais até do que nas Forças Armadas em tempos de guerra.

Mas sossegue! Apesar dos percalços, também somos contemplados, volta e meia, com a educação de verdade, que alguns trazem de casa e que os coloca no caminho do entendimento. Educação esta que estivera sempre em primeiro plano nos ideais de papai e mamãe que souberam, desde o princípio, que se não fizessem direito a sua parte, a escola, de mãos atadas, não conseguiria levar seu filho a um mergulho na fascinante aventura do conhecimento. É inacreditável, mas pais assim existem!

Por outro lado, exemplo perfeito da visão distorcida de realidade, que permeia os céus de alguns lares, é possível encontrar na sala de minha jovem amiga, professora do primeiro aninho, a mesma que se desdobra para que o aluno inicie sua caminhada rumo ao futuro. O caso diz respeito a um integrante da classe que, a despeito de sua condição de estudante, comporta-se ali como juiz do Supremo, determinando o que seguir e o modelo de aula que deseja para si: normalmente nenhum. A direção já pensa até em lhe oferecer uma toga em lugar do velho uniforme.

Perdoe-me, amigo leitor! Não pretendia deixá-lo boquiaberto, mas fato é que o tal menino dirige à professora e demais autoridades do lugar, palavras de ordem como se acabasse de concluir mestrado no ramo e que, portanto, soubesse um pouco mais do riscado do que aquela gente a quem é dado o direito de aborrecê-lo com cadernos, livros e regras. Mamãe, incrédula, diz que levará o fofucho para uma avaliação psicológica, amanhã mesmo!

Destaque para o fato de ganhar muito dinheiro nos dias de hoje esse segmento profissional, para quem é enviado todo aluno de ímpetos incontroláveis e reprováveis. Acompanhamento, remedinho e afago – aconselha o psicólogo – é a receita de sempre. Imagine!

É, eu sei o que passa pela cabeça do amigo diante desta página: “No meu tempo o remédio para atitudes inadequadas na escola era outro, e funcionava muito bem”.



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