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Economia

Publicado em sábado, 12 de agosto de 2017 às 07:07 Histórico

Operários da Ford contestam demissões

Nario Barbosa/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Em assembleia realizada na manhã de ontem pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em frente ao portão 18 da Ford, trabalhadores da planta de São Bernardo posicionaram-se contra as 364 demissões anunciadas por telegrama pela montadora. Foi aprovado durante o ato que os colaboradores em lay-off (suspensão temporária de contrato de trabalho) irão aguardar posicionamento da companhia e, enquanto isso, não vão assinar a rescisão de trabalho.

Como forma de apoio aos operários dispensados, o sindicato orquestrou a paralisação do setor de estamparia, considerado estratégico à produção, ao longo do dia.

“Enquanto a empresa não se posicionar, vamos continuar com as assembleias até que algo seja feito a respeito”, comentou o diretor executivo do sindicato e eletricista eletrônico da Ford, Alexandre Colombo. “Enquanto isso, vamos paralisar outros setores também”, avisou.

O próximo ato será realizado na quarta-feira, às 6h, se até lá a situação não for solucionada. A montadora não vai operar segunda nem terça-feira, já que foram concedidos os chamados down days, descanso remunerado com desconto no banco de horas, aos cerca de 3.000 funcionários do chão de fábrica – ao todo, são 4.000 empregados.

Na avaliação do coordenador do comitê sindical na empresa, José Quixabeira de Anchieta, a Ford agiu de maneira irresponsável ao romper negociação com a entidade, sendo que o acordo coletivo em vigor – negociado no fim de 2016 – prevê a estabilidade dos trabalhadores até janeiro de 2018. “Estávamos debatendo o futuro da fábrica e, de repente, vieram os telegramas. Estamos abertos a dialogar com a empresa, mas enquanto não houver solução a luta vai continuar.”

Segundo um trabalhador da Ford que preferiu não se identificar, nem todos os 364 receberam o telegrama anteontem. “Um amigo meu recebeu ontem (quinta-feira) porque o lay-off dele venceu. É bem provável que eu receba algo na semana que vem, já que o meu (contrato) termina na próxima quarta-feira”. Conforme o sindicato, a empresa alega que já utilizou as ferramentas de flexibilização possíveis e se recusa a abrir novo PDV (Programa de Demissão Voluntária).

“A empresa nos disse que não possui a intenção de trazer mais modelos para cá”, informou outro trabalhador que pediu sigilo. Hoje é produzido em São Bernardo apenas o New Fiesta, além dos caminhões.

O vice-presidente da entidade, Paulo Cayres, também funcionário da Ford, ressaltou que somente a luta da categoria irá garantir os postos de trabalho. “Nossa assembleia de hoje (ontem) está buscando alternativa com respeito e dignidade. Não dá para aceitar que companheiros com mais de 15, 20 anos de casa sejam tratados desta maneira”.

Até o fechamento desta edição, a montadora não havia se posicionado sobre o pleito do sindicato para reverter as demissões nem se haverá reuniões com a entidade.  



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