Política Titulo Em comparação com o País
Região investe acima da média nacional na Saúde sem estancar falhas no setor

Cinco municípios investiram em 2015
US$ 2.770 ao ano por cidadão em Saúde

Fábio Martins
Diário do Grande ABC
09/07/2017 | 07:00
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Nario Barbosa 14/3/17


Cinco municípios do Grande ABC investiram, em 2015, US$ 2.770 ao ano por cidadão em Saúde, valor cinco vezes acima da média nacional. O governo federal destinou US$ 512 no período. Os números integram levantamento da FNP (Frente Nacional dos Prefeitos), baseado em dados do Tesouro. No total, Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá, juntas, aplicaram R$ 2,23 bilhões no setor. Neste cenário, a média de gastos da região por dia é de US$ 7,59 per capita, enquanto a quantia da União girou em torno de US$ 1,40 – considerando a cotação do dólar da época.

Na média, apesar dos problemas verificados na área, a fatia do Grande ABC se aproxima do montante injetado por países desenvolvidos, que destinaram US$ 2.800 a cada um dos moradores em contas de Saúde, de acordo com informações da OMS (Organização Mundial de Saúde). O patamar fica bem abaixo se comparado com nações ricas. A Noruega, por exemplo, arcou com US$ 7.900 no ano por cada cidadão. Em média, por ano, os Estados Unidos aplicam R$ 4.100. No Japão, as despesas foram de US$ 3.900.

No âmbito regional, São Caetano é a cidade que mais empregou recursos na área por cidadão: R$ 1.788 (US$ 14,91 por dia). Neste quesito, aparece em ranking entre os 100 municípios com maior repasse, ficando na 31ª posição – única do Grande ABC. A lista contém outras 28 localidades do Estado de São Paulo, contudo é liderada por São João da Barra, no Rio de Janeiro, que encaminhou R$ 4.113. Em número total, São Bernardo está na dianteira, ocupando a 12ª colocação. Foram R$ 974,9 milhões de investimento – à frente de nove capitais.

Especialistas consideram que os recursos investidos pela região são vultosos em cifras, mencionam avanços gradativos no setor, mas ponderam que a quantia pode ser encarada como escassa do ponto de vista da demanda. “Os valores são altos, principalmente se confrontar com o restante do País, mas ainda assim insuficientes. Falta, por exemplo, cobertura de 100% da atenção básica, foco em saúde da família”, pontuou a professora de Saúde Coletiva da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) Vânia Barbosa do Nascimento. “Com a crise e desemprego, aumenta a procura pelo SUS (Sistema Único de Saúde).”

Vânia alegou que ao longo dos últimos exercícios “não houve recuo” no Grande ABC – há casos de cidades que aplicaram volume superior ao preconizado pela Constituição, de no mínimo 15% da receita. “Não depende apenas dos municípios. Há necessidade também de repasse dos governos federal e estadual”. Para ela, a instabilidade no País já coloca maior peso sobre as prefeituras na Saúde. “Começam a faltar medicamentos nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde), setor de oncologia está estrangulado, pacientes aguardando em macas nos PSs (Pronto-Socorro). Agora (União) fecharam farmácias populares.”

O coordenador da Cátedra Gestão de Cidades da Metodista, professor Luiz Silvério, lamentou a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) aprovada que congela os gastos nos próximos 20 anos. Sinalizou que a decisão pode iniciar sucateamento do sistema. “Existia grande investimento na ampliação da rede. Mas haverá aperto no cinto. Vai estancar investimento.”




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