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Política

Publicado em domingo, 18 de junho de 2017 às 07:45 Histórico

Investimento alto em Educação pouco se reflete em resultado no Grande ABC

André Henriques/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Estudo da FNP (Frente Nacional dos Prefeitos) aponta que grande volume de investimento por cidades do Grande ABC na Educação pouco se refletiu em resultado na prática. Ranking indica que quatro municípios da região – São Bernardo, São Caetano, Santo André e Diadema (confira quadro ao lado) – aparecem entre os 100 que mais aplicaram recursos públicos nesta área no País. Um dos critérios de avaliação, as notas do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) mostram, porém, que os números estão abaixo do estimado na comparação com o orçamento.

Baseado em dados de 2015 da STN (Secretaria do Tesouro Nacional), o levantamento divulgado neste ano destaca São Bernardo na 15ª posição na esfera nacional no que se refere a dinheiro destinado para Educação, com injeção de R$ 670 milhões, tendo, no entanto, como última nota do Ideb o registro de 6,8. O número deixa a cidade apenas na 284ª colocação geral, apesar de evolução em relação a índices passados (6 e 5,8 eram os dois anteriores). Somente São Caetano – entre os municípios do Grande ABC – ficou no rol das 100 melhores avaliações, porém bem no limite: com nota 7,2 (6,6 e 6,4 foram as outras anotadas a cada biênio), ocupando 97º lugar, depois de investir R$ 370,7 milhões no setor (posto de 29º em verba).

Sobre o montante aplicado em Educação, Santo André integra a 38ª posição na lista ao empregar R$ 333,5 milhões no exercício. Por outro lado, a nota do Ideb foi de 6,2, elencando a cidade na 1.075ª colocação, atrás, inclusive, de Diadema, que figura no 863º lugar após obter 6,3 na análise. O município – única exceção entre os citados da região que manteve o governo à frente das prefeituras – gastou R$ 259,2 milhões na área (56º posto em recursos). Curiosamente, o ranking do Ideb possui no topo quatro cidades do Ceará, encabeçado por Sobral, seguida por Pires Ferreira, Deputado Irapuan Pinheiro e Brejo Santo.

Outros problemas do setor se revelam por meio do deficit de vagas em creches. Entre 2016 e 2017, o número de crianças de zero a 3 anos na fila de espera por oportunidades em unidades educacionais – considerando quatro cidades do Grande ABC (Santo André, São Caetano, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra) – cresceu 59,23%, subindo de 6.411 para 10.208 cadastros. Em solo andreense, esse índice quase dobrou de tamanho. Saltou de 5.529 vagas para 9.184. O território são-caetanense concentrou 600. Até o ano passado, São Bernardo amargava carência de 4.300 espaços, enquanto Mauá, 3.000; e Diadema, 4.000.

Professor doutor em Educação pela USP (Universidade de São Paulo), Roberto da Silva pontuou a diferença do montante transferido na área, como exigência constitucional de, no mínimo, 25% da arrecadação, com aquele aplicado na sala de aula. “A experiência de Sobral demonstra que não necessariamente volume de recursos significa automaticamente qualidade (na área)”, citou, referindo-se à cidade cearense, que sequer consta entre as 100 que mais investem. Outro ponto que distingue, segundo o especialista, é quando submete-se a realização de atividades extras em outros espaços, além da relação de parceria com entidades da sociedade civil. “Diversifica o ensino. Sobral tem vínculos com associações do Canadá.”

Roberto da Silva observou que programas e projetos sociais integrados com a escola, além da preocupação com transporte dos alunos e a formação dos professores, podem influenciar diretamente no desempenho. “Esse conjunto de fatores resulta em sinergia.” (colaborou Raphael Rocha) 



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