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Cotidiano

Publicado em quinta-feira, 18 de maio de 2017 às 07:00 Histórico

E que fim levou a Educação?

O momento que atravessa esta Nação é, por assim dizer, um tanto delicado. Para todos os lados em que se olha, o cenário é de desânimo, uma vez que o preço que se paga para a manutenção da farra política é de doer no bolso de qualquer pessoa de bem que contribui com impostos aviltantes para nada receber em contrapartida. Quem pode ainda desembolsa seu rico dinheirinho para o convênio médico, tendo em vista o risco de morrer à míngua numa espelunca qualquer do sistema público de Saúde. Paga muito também para educar os filhos, porque deseja vê-los construir o seu conhecimento numa escola de verdade, e a Educação oferecida pelo poder constituído está muito longe do mínimo necessário para o desenvolvimento humano. Tudo isso além dos gastos com portões automáticos e câmeras para vigiar a casa, já que paranoica se tornou essa gente por causa da Segurança nenhuma que o Estado lhe tem oferecido. Pudera! Esse mesmo Estado vem apanhando feio da violência e não dispõe, falido que está, de recursos para se equipar e, assim, se equiparar ao bandido.

Pensava sobre isso, e sobre o engarrafamento que nos concede tempo de sobra para viajar nos pensamentos, quando ali, na rua apinhada de veículos, fui surpreendido por um fato que estabeleceu íntima ligação com o que vinha pensando: partiu, pois, da janela de um veículo estacionado nas proximidades uma embalagem toda amassada, ao que tudo indica, de cigarros. Foi direto ao asfalto.

Depois, mais alguma coisa que devia ser descartada, o homem ao volante arremessou para o meio-fio. Em seguida, mais alguns papéis, plásticos, fiapos e detritos vários, coisas que não lhe serviam mais, também atirou para fora do veículo. Fez, assim, uma faxina caprichada, o tal sujeito que, ao que tudo indica, não suporta viver na sujeira e que utiliza a rua como cesto de lixo, lugar ideal para o descarte de todo o material sem utilidade que se encontra dentro do seu e de qualquer carro, cujo dono não tenha recebido o salutar ensinamento de berço.

É comum, aliás, atitudes semelhantes nas ruas das cidades também quando o tráfego circula livre. Fico estarrecido, por exemplo, quando alguém desce o vidro do carro e deita fora uma lata de refrigerante ou coisa que o valha, mais um sintoma da decadência social em que nos encontramos mergulhados até o pescoço. São objetos atirados à revelia, muitas vezes, de veículos que denotam considerável poder aquisitivo do proprietário. O brilho dos tais sugere, pois, que grana é o que não falta nas contas bancárias, razão mais do que suficiente para se esperar deles conduta compatível com o nível social que ostentam.

Diante de quadro como este, então, como vislumbrar migalha qualquer de progresso nesta Nação feita de pessoas que não sabem diferenciar um cesto de papéis de uma via pública? É desanimador.

Depois, ainda falam mal dos políticos que governam sua terra. Acontece que o mau político é fruto desta mesma terra e, portanto, dotado das mesmas virtudes desse povo que adora levar vantagem em tudo e que se orgulha dos maus modos e do conhecimento que passou longe de sua mesa, fazendo dele a figura patética do quadro ora pintado. Desculpe, mas não consigo ver de outra forma o indivíduo que atira o lixo nas ruas ao invés de descartá-lo em local apropriado. Receio, inclusive, imaginar os demais quesitos da boa Educação que lhe foram negados na infância.



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