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Cotidiano

Publicado em quinta-feira, 11 de maio de 2017 às 07:00 Histórico

A entrevista

 Finalmente o grande xerife lá do reino do ‘Ó’ conseguiu entrevista com o antigo rei do lugar. E olhe que não foi fácil! Claro que o monarca levou a comitiva, situação prevista e proibida, como proibido é tudo o que se convém proibir naquela imensa Pátria.

A acusação do policial que levou ao encontro memorável baseia-se unicamente no depoimento um tanto suspeito do dono de uma construtora que teria dado ao então rei um castelo de areia na praia, supostamente em troca de favores que não foram bem esclarecidos em meses de chateação. Tanto é que se perguntar a qualquer súdito do reino, ninguém será capaz de dizer exatamente qual foi a vantagem que o rei tirou disso. Não que se pretenda aqui defender sua majestade com seu cetro dourado. O que não se sabe, contudo, é o que realmente deseja o meritíssimo xerife, com tanta aporrinhação. Parece que um outro bandido, em conversa com a lei, também teria citado o nome do antigo monarca. Motivos, afinal, são garimpados aqui e ali, tudo na expectativa de se encher de culpa sua majestade.

E, ao que parece, esta conversa tem mesmo como finalidade arrancar a qualquer custo a verdade do ex-chefe de Estado da garbosa Pátria azul anil. Porque há de ter uma verdade que o condene. Afinal, para que servem as verdades? Aliás, que fique bem claro que, neste caso, qualquer uma está de bom tamanho – conclamam os acusadores.

Claro que até o presente momento não houve quem levantasse a voz para acusar o velho chefe de governo. Melhor dizendo, voz até que não faltou. O que não se viu foram os argumentos, provas capazes de botar por terra a defesa do astuto soberano.

Mas, afinal, sob que pretexto almejam depositar no cesto a cabeça do homem? – pergunta que não quer calar. Ah! Deve ser porque ele se diz novamente candidato ao trono para as próximas eleições! Vai ver que é isso. E todas as prévias o apontam como sucessor do atual rei, aquele que deu uma rasteira feia na rainha, lembram-se?

E o encontro de acusador e acusado, como era de se esperar, fechou ruas, mudou itinerários e esteve repleto de cobertura jornalística e especulação sobre como repercutirá, por esse mundão, a conversa entre ambos. Prováveis trocas de farpas.

O xerife, pelo que se sabe, não dispõe de munição suficiente nem de artilharia antiaérea para alcançar o outro. Lenga-lenga, pois, é o provável resultado deste papo.

Mas o xerife é pessoa determinada e há de persistir na apuração dos fatos, na investigação minuciosa, porque é para isso que escolheu a lei como missão. Seu trabalho é justamente o de promover a justiça, doa a quem doer. De preferência que a dor venha para o antigo rei com seu calo inchado, depois das pisadas que vem levando.



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