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Cultura & Lazer

Publicado em domingo, 7 de maio de 2017 às 07:59 Histórico

Obras que representam a luta

Marina Brandão/DAGBC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Como dizia Martin Luther King, “eu tenho o sonho de ver meus filhos julgados por sua personalidade, não pela cor de sua pele”. Assim, a artista plástica e moradora de Diadema Ordalina Cândido, 73 anos, deseja que sejam reconhecidas as crianças da periferia.

Completando 50 anos de trabalhos sociais e raciais neste ano, a artista vai participar de campanha para arrecadar fundos para a reforma de seu ateliê, na sexta-feira, a partir das 17h, no Teatro Clara Nunes, com a participação de 20 artistas de diversos gêneros.

Nascida no Paraná, desde pequena sofre com o preconceito por ser negra e de origem humilde. Estudou em colégio de pessoas brancas e ricas, onde sua mãe era cozinheira e também onde teve forte contato com o racismo. “Para eu estar no padrão branco, alisavam meu cabelo todos os dias com um pente quente ou com ferro. Tive queimaduras de terceiro grau no couro cabeludo, e hoje meu cabelo não nasce mais em determinados lugares”, desabafa. Mesmo com o ambiente hostil da escola, foi lá que aprendeu pintar e sentiu nascer o amor pela arte.

Veio para São Paulo adolescente e se instalou em Diadema, onde mora até hoje. Se especializou em técnicas de penteados afro e montou o próprio salão na região, mas nunca deixou o sonho de ser pintora de lado. Unindo o útil ao agradável, começou sua trajetória com trabalhos sociais, recuperando jovens que viviam do tráfico de drogas. “Toda noite eu tinha um tempinho para sonhar e desejava ter um ateliê. Queria entrar na periferia com meu trabalho e atualmente dou aulas na Rede Cultural Beija-Flor, onde estou há 25 anos. Também já dei aula na Fundação Casa. No total são 50 anos de trabalhos sociais”, conta.

Com a ideia de que seus alunos se sintam representados por seu trabalho, a artista procura retratar o ambiente da periferia em suas obras e se emociona ao relembrar a reação dos jovens quando se depararam com uma delas – entitulada Favela – pronta. “Eu criei essa para os meninos que moram aqui. Eles apontam o quadro mostrando suas casas. Eu pintei de uma maneira bem impressionista e isso subiu a autoestima deles”, explica ela.

Ordalina já expôs seus trabalhos em diversos lugares, inclusive fora do País. Passou pela Noruega, Inglaterra e até na Ásia. Sua primeira exibição foi na PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, em 2002. “Foram ótimas experiências para minha vida. A emoção de pintar um quadro é diferente todos os dias. Falo para meus alunos buscarem o que estão sentindo e transmitirem em forma de arte”, diz.

BOA CAUSA
Reconhecendo a luta de Ordalina, o rapper e produtor G. Santos, 33, organizou evento com o projeto Expressão Musical Arte Livre, que também faz trabalhos sociais com jovens da região. Entre as atrações estão Circo Escola e O Cálice.

Amigo da artista desde 2006, decidiu ajudá-la a realizar seu sonho. “Sei das dificuldades que o artista enfrenta, então, quis criar a campanha para levantar recurso para a Ordalina, explica o rapper, qua também se apresenta no show.

Ordalina 50 Anos de Trabalho Social e Racial. Show – Teatro Clara Nunes – Rua Graciosa, 300, em Diadema. Dia 12 de maio, às 17h. Ingressos: R$ 20 



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