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Bairros boêmios de SP têm conflitos diários por barulho



21/04/2017 | 07:58


Na casa do técnico de informática Flamaryon Miguez, de 39 anos, todos sofrem, de alguma forma, as consequências da música alta na rua e em estabelecimentos da região. Ele mora na Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo, com a mulher, dois filhos, a mãe de 60 anos e um irmão esquizofrênico.

Miguez trabalha em casa e, por causa do barulho, não consegue atender clientes pelo celular. A mulher, que ajuda as crianças na lição de casa, tem dificuldade de manter o foco dos filhos por causa da música alta. Os ruídos também incomodam a mãe e o irmão. Segundo ele, os barulhos incomodam mais no período da tarde. "Alguns bares têm varandas enormes, abertas, sem acústica. Não dormimos, não conversamos. Falamos alto e estamos ficando surdos", relata.

Segundo Miguez, os bares próximos da sua casa costumam fechar até meia-noite. Os frequentadores dos locais, porém, não vão embora e ficam caminhando pela rua, fazendo barulho. Música alta nas ruas é outro problema.

Perto dele mora o engenheiro Nelson Pereira, de 64 anos, em um apartamento na esquina das Ruas Harmonia e Wisard. Segundo ele, há bares que desrespeitam o limite de 1 hora e não têm isolamento acústico. "Alguns deixam música tocando em um terraço todo aberto ou na calçada. Danem-se os vizinhos", diz ele. "E é uma área com muitas residências, muitos prédios."

Na opinião de Cássio Calazans, presidente da Sociedade Amigos de Vila Madalena, o aumento de fiscais vai contribuir para que a população possa "cobrar mais de perto". Há queixas de moradores em outras regiões boêmias.

Na Consolação, Célia Marcondes, fundadora da Sociedade dos Amigos, Moradores e Empreendedores do Bairro de Cerqueira César, também tem boas expectativas com a mudança. "É o que a população precisa para poder dormir", afirma.

Proprietário de dois bares na Vila Madalena - um na Rua Mourato Coelho e outro na Rua Aspicuelta -, o empresário Ronaldo Camelo, de 53 anos, diz que seus estabelecimentos têm tratamento acústico de teto e ainda vidros acústicos para que possam funcionar após 1 hora. "Tentamos atender todos os moradores que ligam e reclamam. Muitas vezes, tem barulho de rua também. É complicado identificar", afirma.



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