Fechar
Publicidade

Turismo

Publicado em quinta-feira, 20 de abril de 2017 às 07:00 Histórico

Aula de história no vagão

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

 Estrada de ferro, cabines e trilhos. O cenário parece aquele que só aparece nos filmes ou livros, mas pode ser real e está mais perto do que se imagina. Em Curitiba, o Serra Verde Express proporciona viagem ao tempo, com paisagens exuberantes da maior área preservada de Mata Atlântica do Brasil, em ferrovia com 110 quilômetros e mais de 130 anos.

Para embarcar na aventura, basta estar pontualmente às 9h15 na estação ferroviária da capital do Paraná, região Sul do Brasil, e seguir rumo a Morretes. O Trem da Serra do Mar Paranaense parte com grandes mistérios prontos para serem desvendados em cada curva e nos 13 túneis distribuídos pelo trajeto, com duração aproximada de três horas e meia.

No caminho, o passageiro descobre detalhes. Era 2 de fevereiro de 1885 quando a ferrovia foi inaugurada pelos irmãos e filhos de escravos Antônio e André Rebouças – os dois primeiros negros a possuir Ensino Superior no Brasil. Engenheiros e abolicionistas projetaram a obra e fizeram uma imposição: ela não poderia ser construída por escravos.

Sendo assim, com a aprovação de D. Pedro II, o ousado projeto começou a ser executado. Cerca de 9.000 trabalhadores, de origem alemã, polonesa, italiana e africana – escravos alforriados – foram recrutados. Pontes de aço foram importadas da Inglaterra e montadas ao longo da ferrovia.

Logo que se entra em um dos vagões da Litorina (veículo sobre trilhos com motor próprio) é possível sentir como se estivesse voltando ao século 19. Com mobiliários escuros, madeira de lei envelhecida nas paredes, lustres de cristais, poltronas de couro e gravuras de artistas como Rugendas e Jean-Baptiste Debret, a primeira impressão é de se estar em novela de época desbravando lugares ocultos e inóspitos da serra paranaense.

A natureza permaneceu incrivelmente preservada durante todos esses anos. O cheiro de lírios do brejo – planta perene nativa da Ásia tropical – se faz presente assim que começa a subida do passeio. Das janelas do trem é possível contemplar imagens como a Serra do Marumbi e da Graciosa, fortalezas intocadas pelo homem. A velocidade máxima de 40 km/h do trem permite que o passageiro tire inúmeras fotos.

Uma das partes mais emocionantes da viagem é quando se aproxima a Ponte São João. Assim que a composição passa, a sensação é de estar voando. Apenas o aço separa o trem da imensidão dos incríveis 55 metros de altura. A construção é considerada uma das obras-primas da engenharia.

O Serra Verde Express oferece três litorinas de luxo (Foz, Copacabana e Curitiba), que fazem o trajeto até a cidade de Morretes aos sábados, domingos e feriados, sempre com saída às 9h15. Nas duas primeiras, o bilhete custa R$ 360 (adultos) e R$ 260 (crianças). Já na terceira é cobrado o valor de R$ 283 (adultos) e R$ 180 (crianças).

O mesmo trajeto também pode ser feito em outras categorias: a econômica (R$ 94), a turística (R$ 119) e a executiva (R$ 174) com partidas diárias às 8h15 da Estação Rodoviária de Curitiba. Mais informações: www.serraverdeexpress.com.br.


Provar o barreado é essencial ao visitar a cidade de Morretes
E quando o passageiro da Serra Verde Express acha que o passeio acabou, ele dá de cara com o município de Morretes. Famoso por seu clima aconchegante e população acolhedora, o lugar oferece inúmeras delícias para serem desfrutadas, de preferência sem pressa. A começar pelos doces e cachaças caseiras de banana.

Porém, o carro-chefe de Morretes é o barreado, boa opção para o almoço. Sua origem é portuguesa – dos que vieram para o litoral do Paraná no século 18 – e, mesmo depois de 300 anos, os paranaenses ainda seguem o ritual de preparo da iguaria.

O prato consiste em um ou mais tipos de carne bovina e variadas especiarias que ficam cozinhando até desmanchar. Durante o preparo é misturado ainda farinha de mandioca (até receber a consistência que dá nome ao prato). A delícia é servida com arroz e banana-da-terra fatiada. O segredo do barreado está no tempo de cozimento na panela de barro – cerca de 20 horas – o suficiente para desfiar a carne. Depois de cozida, as fibras se soltam, resultando em caldo grosso e saboroso.

Além de comer, separe um tempo para conhecer a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Porto, o Rio Nhundiaquara, a Rua das Flores, o Parque Estadual do Pau Oco e fazer trilhas até o Pico do Marumbi .

A jornalista viajou a convite da BWT Operadora e Serra Verde Express.



Veja Também

Tags


Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook! Lembre-se que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Diário do Grande ABC