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Moradores do Camilópolis sofrem com violência e assaltos constantes

Banco de Dados/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Julia Alves
Especial para o Diário OnLine

19/04/2017 | 11:13


Os moradores do bairro Camilópolis, em Santo André, se sentem completamente desprotegidos por conta dos assaltos frequentes que ocorrem naquela região. Apesar da proximidade de uma delegacia, mulheres, adolescentes e idosos relatam sofrimento com a violência e afirmam viver com o medo constante de serem mortos.

“O Camilópolis está em decadência”, afirma Ana Paula da Silva, 26 anos, que mora no bairro há 22 anos e instalou seu comércio na Rua Laureano. A autônoma conta que a tranquilidade do local foi se esvaindo com o tempo e, hoje, os assaltos ocorrem livremente em pontos de ônibus, nas portas de escolas, mercados, bancos e ao estacionar carros em ruas comerciais e residenciais. “Em todo lugar tem um bandido esperando para assaltar. Fazem arrastões nos pontos, invadem casas e comércios, adolescentes utilizam drogas livremente nas praças. O crime no bairro é escancarado e não tem hora para acontecer.”

A auxiliar administrativa Jéssica Gonçalves, 24, teve seu celular roubado enquanto voltava para casa após deixar seu filho na escola, às 8h. “Estava na esquina da rua de casa quando um homem passou por mim. Eu empurrava o carrinho do meu filho e o celular estava guardado no bolso da calça. Senti o telefone sendo puxado, olhei para trás e vi o bandido, com o aparelho na mão, mandando que eu ficasse calada ou iria me matar.” Jéssica afirma que a segurança no bairro é inexistente e a presença de delegacias não surte nenhum efeito para inibir criminosos.

Alguns meses depois, na mesma esquina, entre as ruas Sud Menucci e Clara, a estudante Flavia Cardoso, 15, sofreu uma tentativa de assalto por volta do meio-dia. A menina não havia saído de casa há mais de cinco minutos quando foi abordada por dois criminosos exigindo que ela entregasse o celular. “Eles não tinham armas, então eu disse que não iria dar. Um deles me jogou no chão e bateu com o meu rosto no asfalto. Depois que correram, me levantei e senti o sangue escorrendo pelo queixo. Tive que levar seis pontos.” A adolescente pediu socorro em uma padaria antes de retornar para casa, com medo de que estivesse sendo seguida, e então foi levada ao hospital para que os médicos costurassem o corte em seu rosto.

Uma costureira que mora na Rua Sud Menucci há 30 anos preferiu não se identificar, mas contou que, nos últimos dois meses, uma amiga foi assaltada no ponto de ônibus, um vizinho teve a casa invadida e sua filha quase foi baleada em uma tentativa de assalto. “Ela andava até o ponto de ônibus quando um rapaz de moto anunciou o assalto. Minha filha não ouviu, então ele a puxou pelo braço, apontou a arma para seu peito e disse que iria matá-la.” Com medo, a menina gritou e correu para dentro de uma sorveteria pedindo por socorro. “As pessoas nos pontos de ônibus sempre são assaltadas. Direto ouço alguma mulher gritando por socorro. Aqui é muito perigoso.”

A professora Roberta Santiago, 34, foi perseguida por dois homens em uma moto com a placa ocultada enquanto voltava da faculdade, às 20h aproximadamente. “Ambos estavam armados e gritavam para que eu desse o meu celular. Mesmo depois que cedi, o garupa desceu da moto, me empurrou para a parede e tentou abusar de mim, enquanto o comparsa observava.” Roberta afirma que foi salva por dois cachorros que estavam na rua e foram para cima dos bandidos, que fugiram levando apenas o seu celular. “Agora, vivo com o medo de andar sozinha. A segurança em Santo André é falha, mas é ainda pior nos bairros Utinga, Camilópolis e Santa Terezinha”, finaliza.

No fim da semana passada, a estagiária Isabella Bardelli, 22, estava na frente da sua residência quando presenciou sua mãe e avó serem assaltadas ao chegarem de carro. “Surgiram três homens do nada, com armas enormes que abordaram o motorista”, conta. Isabella afirma que sua avó teve dificuldades para sair do carro e foi puxada com violência pelos assaltantes. “Eles levaram o carro, nossos documentos e celulares, além de machucarem minha avó de 74 anos, que já estava debilitada.”

O 2º DP (Delagacia de Polícia) de Utinga registrou no primeiro bimestre deste ano 732 ocorrências de roubo e furto, um leve aumento comparado ao mesmo período no ano passado, quando foram registradas 690 ocorrências.

Em nota, o 10º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, responsável pela segurança do bairro, informou que o Camilópolis recebe policiamento diuturno do programa de Policiamento de Radiopatrulhamento, das viaturas de Rondas Escolares, Força Tática, Rocam e por viaturas da Policia Militar. O comandante interino Sergio Ferreira afirmou que as operações de segurança na região serão intensificadas e destacou que as ações para coibir os crimes dependem da participação dos moradores e comerciantes, que devem denunciar pelos canais de comunicação 190 e 181. 


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