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Região teve 3.746 lixeiras destruídas

Nario Barbosa/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Número, de 2016, refere-se a três das sete cidades; prejuízo aos cofres públicos foi de R$ 374 mil


Vanessa de Oliveira
Do Diário do Grande ABC

17/04/2017 | 07:00


Jogar o lixo no lixo. O gesto de cidadania é, muitas vezes, dificultado pelo vandalismo. No ano passado, 3.746 lixeiras – ou papeleiras, como também são chamadas – foram destruídas em Santo André, em São Bernardo e em São Caetano, resultando em prejuízo de R$ 374.160 aos cofres públicos para repô-las. Em Ribeirão Pires, segundo a Prefeitura, dos mais de 200 equipamentos instalados, em torno de 20% foram danificados. A administração, porém, não detalhou o custo para substituição. As demais gestões não informaram os números relativos ao problema em 2016.

No município andreense, das 3.930 lixeiras existentes, 646 foram depredadas no ano passado, gerando gasto mensal de aproximadamente R$ 13 mil. Segundo o Semasa (<CF50>Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André), “ultimamente, o Corredor Verde da Rua Adriático e praças nos arredores têm apresentado com frequência o problema, em razão de ocorrências de ‘pancadões’ (como são popularmente conhecidos os bailes funk)”, informou em nota.

São Bernardo possui 7.963 papeleiras, das quais 2.620 precisaram ser repostas. A região central é o principal alvo dos vândalos.

Em São Caetano há 572 lixeiras e, no ano passado, a depredação atingiu quase a totalidade delas: 480. “O preço de uma lixeira plástica para postes é de R$ 142”, pontua a Prefeitura. Os locais campeões em depredação são o Centro e o bairro Santo Antonio.

Para o professor de Sociologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie Rogério Baptistini, a destruição do patrimônio pode ser explicada pela nossa formação histórico-social. “Esta terra (Brasil) foi marcada pelo senso de provisoriedade. O colonizador não veio aqui com intenção de se estabelecer e formar civilização, e sim para explorar e levar as coisas daqui. Graças a isso, e sobretudo à instituição da escravidão, na qual os escravos viviam em terras privadas, não formamos um povo que abraça o espaço público como seu”, fala. “Outra dimensão é o da contemporaneidade. As pessoas estão fechadas e têm pouco apreço pela opinião e vida do outro, e o espaço público se tornou um local de conflito, não de convivência”, acrescenta o especialista.

Em 2015, a Prefeitura da Capital testou novo modelo de lixeira – um saquinho de lixo pendurado em um aro –, visando diminuir os prejuízos com o vandalismo. O problema, porém, foi o mau uso, aponta o professor do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária da Universidade Metodista de São Paulo Carlos Henrique Andrade de Oliveira.

“No Parque do Ibirapuera, por exemplo, colocavam cocô nestas lixeiras. Em outros locais, tanto cigarros acesos como espetos de madeira, dos churrasquinhos vendidos por ambulantes, acabam por furar os sacos plásticos destas lixeiras”, relata.

Processo educativo é o melhor investimento, diz especialista

Lixeiras feitas de concreto ou saquinhos de lixo pendurados em um aro são muitas vezes vistas como alternativas para combater o vandalismo que atinge os equipamentos. No entanto, na opinião do professor do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária da Universidade Metodista de São Paulo Carlos Henrique Andrade de Oliveira, o processo educativo “é muito mais eficiente”.

Na visão do especialista, as papeleiras somente existem “porque a população brasileira não possui informação nem orientação adequadas sobre como se comportar com os resíduos que gera ou deveria evitar gerar”.

Para contextualizar a opinião, ele cita o fato que ocorre no Japão. “Em cidades japonesas, por exemplo, não existem papeleiras justamente porque as pessoas sabem como proceder quando geram resíduos. É só guardar para jogar em alguma lixeira própria ou em estabelecimentos comerciais”, fala.

“Na área de resíduos sólidos, o melhor investimento é com processos educativos e informação adequada. Somente desta forma é que conseguiremos mudar os hábitos e comportamentos inadequados que temos hoje”, acrescenta.

A população também compartilha da opinião do especialista. “Falta educação. Fui ensinada a não quebrar os bens comuns, respeitar o direito dos outros e a natureza. Somos responsáveis por nossos atos e pelos de todos que nos rodeiam”, diz a doceira e moradora de Santo André Angela Maria Gomes Ferreira, 48 anos.

A pedagoga Erica de Moura Machado, 36, vê o problema com frequência pelo bairro Baeta Neves, em São Bernardo, onde mora. “Há lixeiras derretidas por diversos locais. Vivemos em um País onde não há valorização à Educação. Estamos vivendo sem limites, sem nos importar com o outro”, lamenta. 



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