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Cotidiano

Publicado em quinta-feira, 13 de abril de 2017 às 07:07 Histórico

Extra, extra!!!

Procuro reservar, sempre que posso, um tempinho para ver as notícias de última hora nos periódicos da modernidade que a Internet fornece em primeira mão. Noticiário que por certo encheria os olhos do homem que viveu em passado não muito distante, sem jamais suspeitar do que viria em curto espaço de tempo. E também vejo com apreensão que a mesma modernidade ameaça agora acabar com a paz, como fez numa época que também não vai lá muito longe. Inquieta-me ainda constatar que a evolução tecnológica não fez evoluir a mente humana como era de se esperar. Somente a submeteu ao excessivo lixo cibernético que a viciou e, por intermédio do qual, promoveu-se a difusão do mal gosto em larga escala. Foi ainda mais longe a impertinente tecnologia: concedeu a esta mente vulnerável meios mais arrojados e precisos de privar o semelhante do direito à liberdade e à vida.

As provocações e as manobras para tomar do outro o que lhe é de direito, estas continuam as mesmas de tempos idos, que viram nascer e renascer o ódio que deu origem a grandes conflitos. Sem nada de novo nesse aspecto, o que se percebe é que a evolução de verdade veio só para os métodos utilizados para se dar cabo da vida humana. Gente que num instante se sente feliz e segura e noutro é transformada num amontoado de flores, velas e mensagens no passeio público é exemplo disso. Nos Estados Unidos pessoas foram mortas enquanto trabalhavam, enquanto corriam a maratona; na França, enquanto celebravam; no Egito, enquanto rezavam; na Suécia, enquanto passeavam; outras pereceram em mercados pelo mundo. Locais públicos de todo o tipo são alvos cada vez mais frequentes de ataques que visam... A propósito, nem aqueles que fomentam o terror sabem bem o porquê de tudo isso. Como saberemos então, eu e você, para levantar hipóteses e deixar de lado as conjecturas.

A mídia também se aperfeiçoou nos últimos tempos. Expandiu-se a ponto de atravessar fronteiras e xeretar o quintal vizinho para dele tirar a notícia fresquinha. Seja ela boa ou não. Grandes eventos musicais e esportivos viajam também em tempo real até a casa do telespectador ou do internauta, normalmente habituado a digerir mexericos e nada mais, nas redes sociais.

Os espetáculos musicais, esportivos e afins, deixam, inclusive, a impressão de que tudo vai bem e que o mundo segue girando em absoluta paz. Chega a dar a impressão de que há um ensejo em se publicar com destaque notícias que remetem ao belo, deixando para segundo plano o feio, o sinistro, a ameaça que paira e produz esse gosto amargo diante do sentimento de impotência frente ao quadro na pequena nota do jornal. Ele mostra líderes mundiais que apoiam a barbárie, em reunião para deliberar acerca da eficácia do gás mortal distribuído gratuitamente ao povo sírio, prêmio por sua persistência em sobreviver.

E o mundo se cala diante da selvageria, embora, verdade seja dita, um vulto de peso se manifestou indignado. É, o grande urso branco deixou sua toca, ficou em pé e mostrou repúdio pela ação. Mandou até jogar uma ou outra bombinha lá no território onde pensa que se esconde o bandido devorador de sonhos.

E a mídia, graças à modernidade, a tudo assistiu e divulgou rapidamente. Sou mesmo obrigado a tirar o chapéu para esse mundo tecnológico que me permite, inclusive, arrematar esse texto enquanto o paciente editor aguarda o meu e-mail. Afinal, em outros tempos, teria que entregá-lo pessoalmente e datilografado. Bendita tecnologia!



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