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E de música se enche o ar


Rodolfo de Souza

30/03/2017 | 07:00


 O Lola veio novamente para encher os corações das pessoas que, de tal modo amarradas num rock and roll, doam-se para os ídolos como se fossem deles velhos conhecidos.

E é ali naquele espaço que os gigantescos decibéis são a bola da vez e fazem vibrar tímpanos e almas que superlotam o autódromo.

Andei observando, nas infindáveis reportagens, o semblante embevecido de quem reparte o espaço, o clima e a euforia com a multidão. A alegria, a bem da verdade, fica até relegada a segundo ou terceiro plano se levarmos em consideração o torvelinho de emoções que poderiam facilmente ser representadas pelos costumeiros shows pirotécnicos das passagens de ano. Porque é isso que vejo em cada rosto: um sem fim de cores e luzes a resplandecer na celebração.

Retrato de tudo isso, por exemplo, é o sorriso da moça, flagrado pela câmera que nada perde. Cheio do encantamento de quem vive um momento sublime de sua vida, inesquecível de verdade, ela não se contém diante de seus ídolos com suas vozes metálicas e sua imbatível performance no palco. Não pude deixar de notar tanta felicidade e me encantar com ela.

E a plateia divide entre si os sabores apreciados por uns e outros que têm lá seus gostos e estão no evento para aplaudir de pé seus monstros sagrados da música. Não há, pois, como não dividir com eles tanto entusiasmo, uma vez que as fotos, a todo momento, mostram rostos iluminados pelo que há de melhor na música de suas vidas.

E a TV, sempre empenhada na cobertura de eventos, nos farta com matérias e caras bonitas. A felicidade, afinal, é assim: torna tudo muito bonito. Sem contar a internet que, por sua vez, não deixa por menos: nos deixa informados até as barbas, em cada detalhe. Juntando-se, então, toda essa festa à costumeira festa promovida pelos campeonatos de futebol, tem-se aquilo que serve de anestésico para este povo exaurido de sua paciência. Não desmerecendo aqui o valor de tudo isso, claro. Lembrando somente que são esses espetáculos que dão a essa gente a ilusão de que na vida tudo vai bem e de que é preciso também esquecer as mazelas que continuam dando as cartas aqui nesta Pátria de meu Deus. Admito até uma pontinha de inveja por não compartilhar com essas pessoas tamanho apreço pelos shows esportivos e musicais que aguçam as paixões, embora não consiga também me desvencilhar do pensamento nefasto que os distingue como de extrema utilidade enquanto ferramentas de desviar a atenção do povo, distraído que só vendo.

Claro que é preciso destacar também a necessidade do entretenimento como refrigério para a mente conturbada da população. Afinal, que seria desta vida sem ele? Shows de grande monta, diga-se de passagem, tendem a curar os espíritos cansados da rotina enfadonha. Pois bem! Então que venham! Que sejam bem-vindos e apreciados com paixão, mas com olhos bem abertos: de preferência, um na apresentação, outro no gato. Ou gatuno, como querem alguns.


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