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Cotidiano

Publicado em quinta-feira, 23 de março de 2017 às 07:00 Histórico

Se a carne é fraca...

Há muito que ouço o batido jargão popular dizer que o povo lá do distante reino do Ó não come carne. Sou levado a crer, inclusive, que não comia, já que o churrasco na laje, pelo que se vê, é presença indispensável nos dias de hoje.

De qualquer forma, talvez venha a sentir agora um certo alívio, face às recentes noticias, a gente que não consome o produto, por falta de grana ou por opção. O que se fala sobre os meios utilizados para produzi-lo é que deixa o estômago meio virado e, fadadas à mudança de hábito, as pessoas que vivem naquele recanto, ao que tudo indica, concebido exclusivamente às mazelas e à pilantragem desenfreada.

Mas não há do que estranhar. Nesse imenso e desolado território, todos os serviços públicos são tocados por lacaios que esbanjam autoridade e se valem também do setor privado para faturar alto, em detrimento, como sempre, do sossego da população a quem cabe o papel de engolir com casca e tudo o resultado de toda jogada arquitetada só para encher os bolsos da nobreza. "Pro diabo a saúde da gente que habita o lugar!" Até porque, esse caso é só mais um da extensa lista que aos poucos aflora cheia de viço.

Já se viu de tudo no Ó: o remédio de farinha; a máfia da prótese; os combustíveis batizados; as tradicionais obras superfaturadas, mas que funcionam e as caríssimas que sequer foram acabadas e jazem no meio do nada; as infindáveis lavagens do dinheiro público que se esvai numa hemorragia que hospital nenhum conseguiria conter, por mais hábeis e empenhados que fossem os seus profissionais... Mesmo porque, também eles são preocupados com o sangue que passeia cheio de vigor pelos seus pescoços, e não desejariam tê-lo vertido ralo abaixo como as riquezas do reino. "Bolas para elas, afinal!"

Há também quem diga que o rei se aproveitou dessa história da carne estragada para deitar e rolar na reforma que visa deixar sem aposentadoria os súditos da terra. Na verdade, talvez tenha até apreciado o efeito da bomba. Entretanto, os estilhaços voam para todos os lados políticos e ninguém daquela laia deve sair incólume, inclusive, ele. É tanta porcaria no ventilador que até Deus, na sua infinita sabedoria, duvida. Fico até imaginando o dia em que resolverem investigar o setor de previdência do reino. Se as ratazanas metem a mão em tudo, imagine o que fazem com este departamento!

Mas voltando ao assunto sobre o qual discorríamos, o reino do Ó, distante que só vendo, é, ou era, a despeito disso, grande exportador de carne. Agora, depois de tudo isso, deve voltar os olhos para outros negócios e torcer ainda para que o mercado internacional não os penalize por causa de sua origem um tanto duvidosa.

Apesar de que, nem tudo está perdido. Quem sabe se desse bem exportando o que tem de melhor: propina e corrupção. Isso mesmo, sua especialidade! Sem dúvida, faturaria alto com o know-how que até os países do primeiro mundo correriam para buscar.


Rodolfo de Souza nasceu e mora em Santo André. É professor e autor do blog cafeecronicas.wordpress.com

E-mail para esta coluna: souza.rodolfo@hotmail.com. 



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