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Fundação Santo André desembolsa supersalários

Denis Maciel/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Em crise, instituição mantém funcionários com vencimentos acima dos praticados pelo mercado


Daniel Macário
Do Diário do Grande ABC

19/03/2017 | 07:22


Em grave crise financeira e rombo mensal estimado em R$ 500 mil, a Fundação Santo André tem pago salários acima do praticado pelo mercado, conforme dados da própria instituição de ensino. Folha salarial obtida pelo Diário aponta que funcionários têm recebido remuneração que chegam ao dobro do valor pago a colaboradores da mesma categoria. Dentre eles o de uma telefonista com proventos de R$ 9.100 mensais.

A lista com informações referentes ao mês de dezembro de 2016 mostra 451 profissionais no quadro de funcionários da instituição de ensino. Dentre os salários que superam quantias praticadas pelo mercado constam cargos nas mais variadas áreas.

Em funções básicas é possível encontrar trabalhador que atua no cargo de telefonista com remuneração mensal de R$ 9.109,08, valor superior ao piso estipulado pela categoria: R$ 1.350, conforme dados do Sintetel (Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações no Estado de São Paulo).

A mesma situação pode ser verificada na função de auxiliar de biblioteca 1, com salário base de R$ 6.912,97, valor duas vezes maior do que a categoria paga geralmente – R$ 2.850, conforme o Sindicato dos Bibliotecários no Estado de São Paulo.

A lista mostra ainda diferenças significativas de proventos em uma mesma área, como é o caso da função de professor titular. Na relação é possível encontrar docente com vencimento de R$ 20.553,06, valor superior ao do reitor (R$ 18.942,69) e também de prefeitos da região, enquanto há professor que realiza o mesmo trabalho e recebe salário de R$ 1.091,59. Segundo a reitoria, a diferença ocorre porque profissionais da área recebem por hora trabalhada.

A folha de pagamento, que tem consumido mensalmente dos cofres da Fundação Santo André R$ 2,3 milhões, conforme previsão orçamentária para 2017, é, segundo o assessor da reitoria Maurício Magro, problema herdado pela atual reitoria. “Grande parcela dos nossos profissionais com salários acima da média é consequência do antigo plano de carreira que a Fundação tinha até 2010. Nele estava previsto bonificação a cada biênio, o que em tese dobrou o salário de muitas pessoas, como é o caso da telefonista citada”, relata.

Embora o processo tenha sido alterado há sete anos, quando a instituição estabeleceu novo plano de carreira que acabou com gratificação, muitos funcionários seguem no quadro da instituição. “Temos dificuldade de fazer cortes, pois são profissionais concursados. Existem muitas restrições.”

Ainda segundo o assessor da reitoria, a alternativa encontrada pela direção para reduzir custos foi abrir PDV (Programa de Demissões Voluntárias) para os cerca de 150 funcionários da área administrativa, os quais correspondem a 25% da folha de pagamento. A expectativa é a de que 10% do quadro aceite participar do programa. As inscrições foram abertas neste mês e devem ser encerradas em abril. Com o objetivo de estimular a adesão dos profissionais, a Fundação Santo André pagará prêmio equivalente a multa de 40% da rescisão, valor este que será parcelado, dependendo de cada caso.

Instituto de apoio começa a andar

Vista como alternativa para captar recursos financeiros para a faculdade, a criação do Instituto de Apoio à Fundação Santo André foi encaminhada nesta semana para o cartório. Segundo a reitoria, a expectativa é que o registro seja oficializado nos próximos dias para que, posteriormente, o Ministério Público aprove o estatuto do órgão. “Nossa projeção é a de que até o próximo mês o instituto esteja funcionando”, avalia Maurício Magro, assessor da reitoria.

A expectativa é que o instituto consiga atender projetos e demandas nas 27 áreas de graduações oferecidas pela Fundação Santo André atualmente. Após perder em um ano cerca de 1.500 alunos, a Fundação Santo André já suspendeu no início deste ano a abertura de três turmas nas áreas de Geografia, Matemática e Engenharia Ambiental.

Desde o mês passado, alunos têm promovido série de manifestação contra a atual situação enfrentada pela instituição.  



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