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Blair tenta reviravolta sobre Brexit e conclama oposição ao movimento a agir

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Em junho de 2016, por meio de consulta pública,
52% dos eleitores votaram a favor da saída do bloco



17/02/2017 | 08:53


Tentando uma reviravolta no processo de saída do Reino Unido da União Europeia, o chamado Brexit, o ex-primeiro-ministro Tony Blair propôs hoje que os que são favoráveis à manutenção do país no bloco se levantem e mostrem que estão desconfortáveis com a situação. "O Brexit significa uma possível ruptura do Reino Unido", argumentou em um discurso, que teve alguns pontos adiantados esta madrugada por órgãos de imprensa locais.

Em junho do ano passado, por meio de uma consulta pública, 52% dos eleitores votaram a favor do Brexit, numa decisão que foi considerada totalmente inesperada. Na ocasião, Blair fez campanha para a permanência do país no bloco. Sua defesa ocorre às vésperas de o projeto de lei do governo chegar à Câmara dos Lordes para apreciação, depois que foi aprovado pela Câmara dos Comuns. Na segunda-feira, deve começar a avaliação e a expectativa da primeira-ministra, Theresa May, é acionar o Artigo 50, que dá início formal às negociações com a União Europeia (UE), até o fim do mês que vem.

Blair disse há pouco que sua missão era "mudar as mentes" e que os britânicos têm uma oportunidade para repensar a questão, que, para ele, é algo obscuro para o país. "Nosso desafio é expor o custo atual do processo e as pessoas têm o direito de mudar suas ideias", enfatizou. "Eu não sei se a gente pode ter sucesso, mas vou tentar", continuou.

O ex-primeiro-ministro optou por apresentar sua estimativa de custo do processo para o país, que, segundo ele, chegará a dezenas de bilhões de libras. Citou segmentos que vão mais sofrer com as mudanças, como o setor aéreo e o financeiro, mas disse também que o país registrará perdas na área científica, de pesquisa e do comércio, entre outros. "Há um monte de acordos em vigor hoje que simplesmente teremos que abandonar", disse.

Na sua exposição ainda sobre os impactos negativos do Brexit, Blair citou que a libra perdeu 12% de seu valor ante o euro e 20% em relação ao dólar. O ex-premiê disse que a população está se tornando mais pobre, que há um aumento do custo de vida e salientou que o mercado único trouxe "enormes" benefícios para o Reino Unido, como criação de milhares de empregos e oportunidades de investimento.

Além disso, Blair citou questões internas, como a possibilidade de a Escócia promover um referendo para consultar a população sobre a saída do país do Reino Unido. Ao final dessa lista de argumentos, admitiu que a Inglaterra e seus vizinhos "podem, claro, sobreviver sem a União Europeia".

Segundo Blair, a preocupação não é simplesmente em relação a um "hard Brexit", mas um "Brexit a qualquer custo". Batendo de frente com a avaliação feita por May de que cidadãos globais, no fundo, são cidadãos de "lugar nenhum", ele disse que a situação é justamente a oposta. "Não argumento por que a gente não é cidadão de lugar nenhum, mas porque é cidadão britânico."

O ex-premiê acredita que o processo pode levar a um dos maiores danos da história recente do país.

Blair disse saber que a primeira-ministra quer fazer o melhor para o país, mas acabou apontando contradições em seus discursos antigos em relação aos atuais. Como exemplo, disse que May afirmou no passado que deixar o mercado único seria algo catastrófico e hoje ela se diz otimista em relação aos desdobramentos das negociações que tendem a culminar na retirada da Grã-Bretanha desse mercado comum. O argumento do atual governo de que a intenção é ampliar o comércio bilateral também foi rebatido por Blair.

O ex-primeiro-ministro criticou a formação do governo que está à frente das negociações atualmente. "Os que estão negociando sempre quiseram um hard Brexit", afirmou. Em outro momento, ele disse que "este é um governo para o Brexit, do Brexit dominado pela ideia de Brexit" e que os políticos que vão acionar o Artigo 50 o farão não porque sabem de seus destinos, mas porque estão obcecados com essa ideia. Para ele, se a corrente central do país não tem condições de lidar com os problemas que surgem, os "extremistas vão se aproveitar dessa situação".

Blair enfatizou também que a imigração levou à vitória do Brexit, mas ele citou vários números que, segundo ele, contradizem o argumento de que a situação é negativa para o país. Além disso, afirmou que a decisão pelo divórcio com a UE não vai mitigar o problema, se é que ele existe. "O Brexit não significa mais proteção para os trabalhadores, mas, sim, menos", disse.

Para Blair, é preciso construir um acordo agora que vá além das linhas partidárias. "Há diferentes grupos fazendo um bom trabalho", disse em um momento. "Há uma necessidade urgente de reposição do debate", acrescentou posteriormente, dizendo que estava formalmente convocando os "remainers" (os favoráveis à permanência no bloco e que perderam na consulta pública) a se levantarem e agirem. "Os brexiters (que apoiaram a saída) vão dizer que a pesquisa foi feita e que não representamos essas pessoas, que estamos dividindo o país, mas eles é que estão dividindo: geração por geração, norte com o sul", defendeu. "Não é o tempo de indiferença, mas de escrever uma realidade diferente, que acreditamos. Estamos convictos disso."



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