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Memória

Publicado em quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017 às 07:00 Histórico

O sesquicentenário da ferrovia

Hoje são completados 150 anos de inauguração da estrada de ferro que interligou Santos a Jundiaí, cruzando o Grande ABC. Uma obra formidável antecedida e complementada por muitos acidentes, alguns trágicos.

Quando a Estrada de Ferro São Paulo Railway foi inaugurada, em 16 de fevereiro de 1867, o Grande ABC ganhou suas três primeiras estações: Alto da Serra (Paranapiacaba), Rio Grande (Rio Grande da Serra) e São Bernardo (Santo André). Nenhuma delas foi preservada, mesmo porque foram simples paradas, quase improvisadas, que serviam para alimentar o sistema maria-fumaça de então.

Cento e cinquenta anos depois, o andreense Adalberto Dias Almeida é o principal estudioso do Grande ABC sobre a história da ferrovia. E ele destaca que a pressa em entregar a ferrovia teve objetivos financeiros, estimulados pela Corte. Isso ocasionou uma série de acidentes, antes e depois da inauguração, pois a SPR ou ‘Inglesa’ foi entregue incompleta. Necessitava de várias obras complementares, inclusive voltadas à segurança dos ferroviários e dos passageiros.

 

RIO GRANDE DA SERRA

No encontro preparatório ao 14º Congresso de História do Grande ABC, Rio Grande da Serra 2017, vários pesquisadores defenderam a necessidade de se falar sobre os 150 anos da ferrovia.

Os pesquisadores defendem a restauração da Estação Ferroviária de Rio Grande da Serra, que carece de uma melhor preservação.

Acentuou o professor Antonio de Andrade: “Eis aí um bom gancho para agitar a questão da preservação das estações, equipamentos e memória dos ferroviários”.

 

Tópicos de uma obra monumental

Pesquisa e texto: Adalberto Dias Almeida

 

Em 29 de junho de 1864 a estrada de ferro San Paulo Railway Co. estava em festa. Iria inaugurar o trecho do primeiro patamar, do sistema funicular, um dos maiores desafios em obras tecnológicas da época, para vencer a temível Serra do Mar. Sua Majestade, Dom Pedro II, convidado, não veio. Foi representado pelo presidente paulista, Barão Homem de Mello.

Durante a inauguração, tombou um vagão de passageiros, depois do cabo de aço ter escapado das polias e ter sido arrastado por alguns metros, na direção interna. Se virasse ao contrário, a desgraça seria inevitável. Convidados tiveram ferimentos leves e um grande susto, entre eles diretores da SPR, o bispo de Santos e deputados.

Neste dia não houve festa de inauguração e todos voltaram para Santos, decepcionados.

Um mês depois, em 28 de julho de 1864, foi realizada a inauguração oficial, desta vez com menos convidados e após mudanças no sistema, inclinando-se as polias e retificando-se as curvas. Na celebração, cerveja inglesa. Cerveja quente, logicamente.

No domingo, 6 de setembro de 1865, outra inauguração que não aconteceu. Uma grande mesa, ricamente ornada com bandeiras da Inglaterra e do Brasil, ao lado do Jardim da Luz, aguardava os visitantes. Taças e copos brilhavam ao sol. Homens vestidos a caráter e as mulheres, com enormes chapéus, vestidos ornados em fitas acetinadas, distraiam-se ao som de uma banda militar. Programou-se para o local um almoço aos dedicados empregados.

As duas locomotivas e cinco vagões que partiram da Estação do Brás não chegaram à Luz. A segunda locomotiva descarrilhou, levando consigo os vagões. O cenário se transformou num emaranhado de trilhos retorcidos próximo ao Rio Tamanduateí, no pátio do Pari, provocando a morte do maquinista Pelegrino Lodi – a primeira vítima oficial em acidente na SPR.

A mesa reservada ao almoço permaneceu intocável até o dia seguinte.

Outros acidentes ocorreram antes da inauguração de 16 de fevereiro de 1867. Tudo foi encoberto, para que ações da SPR não desvalorizassem.

Dois contratos marcam a construção da ferrovia.

1 – O contrato oficial, assinado, entre outros, por Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, não previa ressarcimento por perdas e acidentes, tampouco pela antecipação na entrega da obra.

2 – E o contrato de gaveta, que estabelecia o pagamento de 25 mil libras esterlinas por semestre de avanço na entrega da ferrovia.

Este segundo contrato forçou a inauguração antecipada e incompleta da ferrovia, sem a devida inspeção dos fiscais do governo.

A ferrovia entrou em funcionamento regular há exatos 150 anos, seguindo-se vários acidentes.

Daniel Mackson Fox, hoje nome de rua em Paranapiacaba, chegou a ser preso, por volta de 1871, responsabilizado pelos acidentes fatais e materiais na ferrovia. Acabou absolvido, já que o crime não era previsto no Código Civil de então.

 

NOTA

O Cemitério Bom Jesus, no alto de Paranapiacaba, possui vários jazigos onde estão sepultados ferroviários vitimados por acidentes entre os séculos 19 e 20. É possível que pelo menos algumas dessas mortes tenham ocorrido por falhas na construção da ferrovia.

 

São Caetano

100 anos do Cartório de Registro Civil: 1917-2017

Registrado, em 16 de fevereiro de 1917, o nascimento do menino Aurélio, filho do marceneiro Arcenio Scartozzoni, e de Ada Benvenutto, ambos italianos.

Notas

Aurélio Scartozzoni casou-se no mesmo cartório com Lourdes Crunfli, em 20 de maio de 1943.

Faleceu em Santo André, em 23 de setembro de 2013.

 

Diário há 30 anos
Domingo, 15 de fevereiro de 1987 – ano 29, edição 6368

Inventário Histórico – I – Paranapiacaba, agora com atenção nacional.

Diário inicia série de reportagens em que relaciona os principais bens de cada município e distrito.

Entre os bens listados em Paranapiacaba estava o Sistema Funicular. Fora de uso, o funicular apodrece serra abaixo nos seus quatro patamares.

 

Em 16 de fevereiro de...

1917 – Queixas em Ribeirão Pires contra uma escola mista que mantinha alunos maiores de 12 anos, o que era proibido pelo regulamento de ensino.

A guerra. Do noticiário do Estadão: autoridades alemãs ordenam a retirada da bandeira da legião americana na Bélgica.

 

Hoje
Dia do Repórter

 

Santos do Dia
Elias

Jeremias

Daniel

Gilberto de Sempringham

 

Municípios Brasileiros
Celebram seus aniversários em 16 de fevereiro:

No Rio Grande do Sul, Agudo e Arvorezinha.

Em Minas Gerais, Raposos.

Em Sergipe, Santa Luzia do Itanhy.



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