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Com Copa inchada, Fifa vai distribuir mais de US$ 1 bilhão para federações

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


09/01/2017 | 16:03


O novo presidente da Fifa, Gianni Infantino, repete as velhas táticas de João Havelange e cumpre sua promessa de campanha de distribuir mais dinheiro e mais vagas nas Copas do Mundo para a "periferia" do futebol mundial. Nesta terça-feira, a entidade vai expandir o Mundial de 32 para 48 times, além de criar um calendário destinado a aumentar a audiência da TV, mesmo em detrimento dos torcedores locais.

Em documentos confidenciais da Fifa obtidos pelo Estadão.com, a entidade admitiu que terá de pagar mais de US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 3,2 bilhões) em contribuições às seleções no evento expandido a partir de 2026. O valor é quase 25% a mais do que será pago em 2018 às federações nacionais.

De acordo com a avaliação interna, cada seleção classificada para a Copa receberá automaticamente um cheque de US$ 8 milhões (R$ 26 milhões). Hoje, das 209 federações pelo mundo, cerca de 110 delas tem uma renda de menos de US$ 2 milhões (R$ 6,4 milhões) por ano. Portanto, apenas por abrir as portas do torneio para mais times, a Fifa distribuirá um total extra de US$ 128 milhões (R$ 409 milhões), levando em consideração a inclusão de 16 seleções.

Se nos anos 1970 Havelange retribuiu os votos africanos e asiático com novos lugares na Copa do Mundo de 1982, o mesmo ocorrerá mais de 40 anos depois. Pelo novo formato, serão os africanos e asiáticos os que mais vão ganhar. Das atuais cinco vagas, a África somará 9,5 lugares em 2026.

LUCROS - Mesmo em sua avaliação interna, os técnicos da Fifa admitem que a "qualidade absoluta" do torneio será atingida com o fim do formato atual de 32 seleções. Mas, em Zurique, o objetivo declarado é o de tornar a Copa num evento "realmente global", o que também implica um aumento de audiência, de marketing, de seguidores e de mercado. A meta é a de que, em dez anos, 60% do planeta acompanhe o futebol, consolidando a modalidade como número 1 em todos os continentes.

Outro tema é o aumento do valor do torneio e o impacto nas aplicações financeiras da Fifa. "A apreciação natural do mercado sobre os ativos da Fifa e o aumento de renda atribuído à expansão, combinado aos esforços de minimizar custo, podem garantir que a organização esteja bem posicionada em seus esforços para desenvolver o jogo", disse.

Em todos os aspectos avaliados pelos técnicos, o lucro é garantido. "Uma mudança incremental na renda de emissoras de TV pode ter o maior impacto financeiro na renda comercial da organização", admitiu. "A Fifa pode esperar um aumento em seu valor de direitos de mídia diante do aumento no conteúdo de futebol", estimou.

Hoje, 40% dos acordos de TV para 2026 já foram fechados. Mas a perspectiva é de que, com 48 mercados, ocorra uma explosão de novas TVs interessadas em transmitir os jogos.

Mesmo os horários dos jogos vão mudar para garantir maior audiência nos países das seleções em campo, e não dos torcedores no estádio. "A Fifa deve ter como objetivo oferecer a maioria das oportunidades a emissoras de transmitir ao vivo em horários razoáveis nos diversos mercados", indica o documento.

Para garantir a renda, até mesmo a agenda da Copa é pensada em termos financeiros. "A alocação de horários deve ter um papel central em determinar o impacto da expansão dos direitos de TV", afirmou. "O tamanho da população do país classificado e sua situação econômica impactariam de forma significante o potencial do tamanho da audiência", constatou. "Isso tem uma relação direta com o valor dos contratos potenciais a serem assinados", disse a Fifa. "Em algumas regiões do mundo, especialmente Ásia e Europa, uma maior chance de classificação pode gerar acordos mais valiosos", completou.

CAMPANHA - Na Fifa, tudo está desenhado para uma explosão na renda e em cumprir uma promessa de campanha. Nesta segunda-feira, Infantino convocou até mesmo ex-jogadores para defender a ideia diante da imprensa. "Trata-se de uma ideia muito boa. Alguns países precisam desse incentivo extra e estar na Copa", disse Roberto Carlos.

"A ideia me parece fantástica e genial", afirmou, ao responder ao Estadão.com. "Isso daria mais possibilidades a países que nunca chegaram a esse nível de Copa que é tão genial e lindo e que gera tantos sonhos", afirmou.



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