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Memórias do cineclube


Luís Felipe Soares
Do Diário do Grande ABC

19/05/2011 | 07:08


As memórias de João Luiz de Brito Neto contam com ações políticas no calor da briga de ideais na Ditadura Militar. Em meio à militância, o cineclubista iniciou sua paixão pela sétima arte e reuniu fatos envolvendo a exibição de filmes para o público. Alguns casos divertidos serviram de base para o roteiro do média-metragem 'Botinas no Elevador'. A produção tem sessão especial amanhã, às 19h30, no Cine Eldorado (Rua Frei Ambrósio de Oliveira Luz, 55. Tel.: 4059-1649), em Diadema. A entrada é franca.

As lembranças ruins foram deixadas de lado na elaboração do projeto. "Não queria fazer esse tipo de trabalho porque é algo bem pessoal. Mas sempre que contava histórias para os amigos, eles me diziam que deveria fazer um filme. Daí a obra amadureceu", explica Neto, que assina a direção da obra ao lado de Edson Araújo Lima.

O filme acompanha a vida de Raul, que começa a recordar momentos especiais de sua juventude durante a ditadura. Ao mesmo tempo em que o relacionamento com a arte cinematográfica é apresentado, também é possível ter contato com o clima dos anos de chumbo. Os estilos do cinema russo, polonês e francês serviram de inspiração para o trabalho independente.

No fim dos anos 1970, Neto começou a desenvolver consciência política e utilizava os filmes para debater o que ocorria no País. "Falava mais da minha ideologia por meio dos filmes que exibia. Não precisava fazer muitas ações."

Entre alguns momentos engraçados das sessões que promovia em São Paulo estavam a presença ‘secreta' de agentes do Dops nos espaços que arranjava - seja na casa de amigos ou até mesmo no salão de igrejas. "Faziam questionamentos idiotas e achavam que nos enganavam. Várias vezes acabaram levando o rolo do filme achando que eram produções da Nicarágua e da Rússia, mas eu entregava desenhos animados", recorda o cineclubista. "Sempre levava alguns rolos extras. Walt Disney me ajudou muito nesses momentos."

Apesar do tom cômico com que 'Botinas no Elevador' lida com a repressão, o objetivo do média-metragem é fazer com que o período não caia no esquecimento. "Infelizmente, existem pessoas que não acreditam na ditadura. Sei que o filme vai ter um público restrito, mas ele busca rediscutir a situação. Temos de ficar mexendo sempre na história."

HISTÓRIAS
O universo do cineclubismo sempre contou com boas histórias. As sessões são prato-cheio para que o inusitado ganhe espaço na memória.

O escritor Zhô Bertolini, de Santo André, recorda que frequentava cineclubes na Capital. A programação dos espaços contavam com grandes obras que não chegavam às salas comerciais e encontram público fiel. Foi acompanhando exibições como essa que Bertolini teve contato com produções alemãs.

Quem também se recorda dos pequenos cinemas é Diaulas Ullysses. O morador de São Bernardo achou interessante a troca de ideias entre os presentes. "Até hoje há brigas homéricas. Nesse momento, ninguém é bonzinho e todos querem impor seus pontos de vista", diz.

Hoje, como coordenador do Cine Eldorado, ele continua se divertindo com a reação do público, principalmente, das crianças. "Elas têm sintonia maior com as imagens", acredita ele.



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