
O setor moveleiro é um dos mais impactados pela crise econômica no Grande ABC. Em 2015, as lojas de móveis e decoração tiveram redução de 28,9% do faturamento, enquanto o varejo da região como um todo retraiu 8%. Os dados são da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo).
No primeiro semestre de 2016, foi a terceira atividade a apresentar maior declínio, de 5,1%, atrás apenas das lojas de vestuário, tecidos e calçados (-24,8%) e farmácias e perfumarias (-18,4%).
Em outras palavras, no entanto, as vendas do segmento moveleiro das sete cidades amarga quedas consecutivas há três semestres, embora neste ano a retração esteja em ritmo menor.
Outro dado que pode comprovar o seu enfraquecimento na região é a quantidade de lojas abertas em um dos polos tradicionais do ramo: a Avenida Portugal, em Santo André. Em fevereiro de 2014, o Diário traçou um mapa, identificando todas as lojas do setor, e haviam sido computadas 39. À época, a via era tida como a segunda maior concentração de lojas de design do Estado de São Paulo, perdendo apenas para a Alameda Gabriel Monteiro da Silva, no Jardim Europa, na Capital.
Quase três anos depois, seis lojas deixaram de existir no endereço, o que representa uma queda de 15,4%. Nesse período, das 39 lojas, apenas 23 continuaram. Das 16 que restaram, oito encerraram definitivamente as atividades e outras oito se transformaram em novas lojas moveleiras. Apenas dois novos números foram criados, a Thiran Toldos e Persianas e Santo Sonho Colchões.
Das oito que encerram as atividades em definitivo, a Pipi Pereka mudou de endereço. No local da Recesa, hoje há uma loja de doces e, no da Carpanezzi, há um estabelecimento de música.
Para o presidente do Polo Design Center, João Mazza, apesar da diminuição de lojas na Avenida Portugal, o local continua sendo o segundo endereço do design em solo paulista.
Mesmo com o lado nefasto da crise, Mazza avalia que o ‘tranco’ foi importante para que os personagens do setor moveleiro pudessem refletir sobre a forma com que administram o negócio. “Viemos de 14 anos de muita prosperidade neste século, e estávamos mal-acostumados. É a oportunidade de repensar nossos negócios, enxugar estruturas, nos preocupar um pouco mais com os custos.” E com o design, que por muitos anos deixou a desejar no segmento da região.
BOOM x CRISE - Para o presidente do Sindicato da Indústria de Móveis do ABC, Hermes Soncini, o boom imobiliário iniciado em 2010 era um dos grandes impulsionadores do setor moveleiro, já que o comprador de um imóvel automaticamente pensava na mobília nova.
Como as vendas de imóveis perderam o fôlego de 2014 para cá, com o agravamento da turbulência econômica, o setor moveleiro sentiu o impacto. Isso pode ser percebido nos dados da Acigabc (Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradoras do Grande ABC). Em 2013, foram comercializadas 10.054 unidades de apartamentos novos na região. Em 2014, 6.680, e, no ano passado, 4.939. Ou seja, em dois anos o mercado imobiliário perdeu mais da metade da força.
Soncini também acredita que as dificuldades na economia geraram maior impacto e redução de empregos para a classe C, vista como a maior cliente do setor nos últimos anos. “Nossa característica aqui na região é produzir móveis de forma personalizada, antigamente ditos por encomenda. E o principal público era a classe média.”
Para ele, o setor precisa buscar inovação, com novos conceitos de produção e design. O sindicalista considera que é necessária uma adequação à nova realidade das residências, que estão menores. “Hoje, se colocar um sofá com chaise na sala não dá para colocar uma mesa de centro. Vejo o móvel multifuncional como uma tendência.”
Soncini ainda acredita que um dos limitadores do varejo moveleiro seja a menor oferta de crédito. “Há necessidade de rever esse assunto, porque a falta de crédito inviabiliza qualquer investimento.” E trava os avanços do setor na região.
Mesmo em dificuldades, representantes da Jurubatuba resistem
A maior via moveleira da região, a Rua Jurubatuba, no Centro de São Bernardo, mesmo em dificuldades, não tem lojas fechando as portas. Entre a Jurubatuba e ruas perpendiculares existem 72 comércios do setor.
Para Ricardo Sitelli, proprietário da loja A Moveleira, em funcionamento há 12 anos no local, a queda de faturamento é notável, mas é mais importante discutir as alternativas para sobreviver à crise. “Temos que procurar e disponibilizar mais ofertas, produtos mais acessíveis e dar um crédito diferenciado ao cliente, para facilitar a venda”, afirma.
De acordo com Sitelli, poucas lojas da Rua Jurubatuba fecharam com o impacto da turbulência na economia, pelo fato de serem lojas com clientela fixa e administração familiar. Segundo o empresário, os estabelecimentos que sentem mais dificuldades são aqueles que possuem origem fora do Grande ABC.
Todas as lojas da via e entorno, no entanto, sem exceção, precisaram fazer ajustes individuais, inclusive reduzir o quadro de funcionários.Como a maioria das lojas não é franquia, conforme Sitelli, a adequação do modelo de gestão é mais simples. “A presença do dono é vital para a administração. Assim como para implementar as mudanças necessárias, a fim de manter o negócio”, diz.
FEIRA - Intitulada de ‘O maior shopping de móveis a céu aberto do País’, a Rua Jurubatuba recebe, pelo menos duas vezes ao ano, feiras realizadas em parceria com a Prefeitura de São Bernardo.
Sitelli conta que o faturamento de sua loja aumenta de 30% a 40% com o evento, e que existem lojas que têm aumento de até 80% nessas datas. Além disso, a clientela da via não se restringe apenas à região. “Em torno de 50% do meus clientes são da Grande São Paulo e do Litoral.”
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