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Líder do AfroReggae acusa pastor de tramar sua morte
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29/02/2012 | 19:39
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A Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) do Rio abriu inquérito hoje para apurar as denúncias do coordenador da ONG AfroReggae, José Júnior, contra o pastor Marcos Pereira, líder da igreja Assembleia de Deus dos Últimos Dias. Os dois atuam como mediadores, tentando convencer criminosos a se entregar à polícia e mudar de vida. Tanto o AfroReggae como a igreja promovem atividades de assistência social. O ativista acusa o pastor de tramar sua morte, de ameaçar um ex-pastor que hoje integra o AfroReggae, de tentar desmoralizar o AfroReggae, de ter incitado os ataques de traficantes no Rio no final de 2006 e em 2010, quando as forças de segurança ocuparam o Complexo do Alemão, e até de abuso sexual.

 

As acusações foram feitas durante conversa de José Júnior com jornalistas na Assembleia Legislativa do Rio, onde se reuniu com o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania. José Júnior afirmou que dispõe de até dez testemunhas capazes de comprovar as articulações criminosas do pastor. Segundo o líder do AfroReggae, ao estimular ataques e rebeliões nas quais acaba atuando como mediador, o pastor Marcos ganha destaque e amplia sua influência política.

 

Conforme José Júnior, um ex-pastor e atual mediador do Afrorreggae, Rogério Menezes, é ameaçado de morte desde 2009, quando deixou a igreja de Marcos Pereira. O próprio Júnior já teria sido ameaçado de morte, segundo contou, por traficantes influenciados pelo pastor. Júnior afirmou ainda que, caso sejam encontradas drogas ou armas na sede do AfroReggae, será uma armadilha preparada pelo pastor para desmoralizar a entidade. Ele afirma que não recebe proteção policial nem usa carro blindado, porque sua atuação como mediador não seria condizente com esses recursos.

 

O pastor Marcos Pereira, de 56 anos, tornou-se conhecido por seus cultos em cadeias, pontuados por exorcismo, e negociações durante rebeliões. A mediação mais conhecida foi na Casa de Custódia em Benfica (zona norte), em maio de 2004, quando negociou o fim de uma rebelião que durava três dias. Em nota, o pastor afirmou que recebeu "com surpresa e indignação" as denúncias.

 

"As acusações que contra mim são feitas, graves e que agridem a minha honra pessoal, a imagem da Igreja que presido e sobretudo a obra que realizamos ao longo destes últimos 20 anos, precisam ser investigadas para que a verdade aflore e esta farsa forjada pelo meu acusador, cujo objetivo, me parece, é tão somente o de autopromoção, seja desmontada", afirma a nota. "Trabalhar com criminosos visando a sua recuperação é diferente de se envolver com criminosos, e esta fronteira eu nunca ultrapassei. Recorrerei à Justiça dos homens, para a reparação devida. Quanto à Justiça de Deus, não tenho dúvida de que será feita", acrescentou.




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