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Economia

Publicado em segunda-feira, 5 de julho de 2010 às 07:00 Histórico

Micro gera 90% dos empregos

Elas são pequenas em tamanho, mas possuem grande importância para a economia da região. Segundo dados do Sebrae-SP, as mais de 80 mil micro e pequenas empresas do Grande ABC geram mais de 90% dos postos de trabalho e, desde outubro do ano passado - quando arrefeceram os efeitos da crise no Brasil -, registram crescimento constante do faturamento. Apesar disso, ainda têm a vida ameaçada por uma série de dificuldades.

"Muitas vezes o pequeno empresário tem conhecimento técnico da atividade, mas não tem perfil empreendedor, tem dificuldades em tomar decisões, em gerenciar sua equipe e em separar o que é seu e o que é da pessoa jurídica. Outros problemas são falta de conhecimento de gestão, dificuldades em acessar linhas de crédito e até conflitos internos, que ocorrem quando uma empresa passa de pai para filho", aponta a gerente do Sebrae-SP (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo) no Grande ABC, Josephina Cardelli.

Além disso, a elevada carga tributária tem peso muito grande para as pequenas indústrias, que representam 12,83% do total de micro da região. "No regime do Simples, se o faturamento anual for até R$ 2,4 milhões, a micro paga de 12% a 14% de tributos. Porém, se ela cresce um pouco mais e se sai dessa faixa, passa a recolher quase 40% de impostos. Isso ainda é um grande impedimento para a pequena indústria crescer no País", avalia o diretor titular do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de São Caetano, William Pesinato.

Já no comércio, que concentra a maioria (47,79%) das pequenas empresas do Grande ABC, driblar a alta competitividade é o que define o sucesso ou o fracasso do negócio. "É importante que o microempresário faça pesquisa de mercado, porque ele terá concorrentes que já estão estabilizados e que poderão engoli-lo", alerta o presidente da Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo), Valter Moura.

MORTALIDADE - Apesar de ainda ser alta, dados do Sebrae demonstram que a taxa de mortalidade das pequenas empresas paulistas com até cinco anos vem caindo: passou de 71% em 2001 para 62% em 2007.

"Isso demonstra que os empresários estão buscando novas ferramentas para permanecer no mercado de uma forma mais competitiva, como inovação tecnológica, parcerias com outras empresas e desenvolvimento e inovação de seu produto", acredita a gerente regional do Sebrae-SP.

Indústria menor cresce nas brechas das grandes

Apesar de ocupar o terceiro lugar na quantidade de micro empresas da região, a pequena indústria é muito representativa para a economia do Grande ABC, fortemente baseada nesse setor. "As indústrias menores empregam 70% da mão de obra e representam cerca de 30% do faturamento da região", afirma o diretor titular do Ciesp de São Caetano, William Pesinato.

Foi pensando em ingressar em um ramo importante e procurando suprir uma necessidade do mercado que Ricardo Gil Klomfahs, seu irmão e mais dois sócios montaram, há dez anos, a Lumafix Estamparia, metalúrgica de estampagem de peças em Diadema. "Percebemos que existia uma deficiência no mercado e resolvemos atendê-la. Eu tinha saído de uma empresa e resolvi abraçar a ideia", conta.

Como em todo começo, Klomfahs enfrentou muitos problemas. A pior fase foi em 2004, quando ele passou a tocar o negócio sozinho após a morte do seu irmão e da saída dos sócios da sociedade.

"Nessa época enfrentei muitas dificuldades e só fui me reequilibrar em 2005, quando passei a planejar e organizar melhor. Foi assim que a empresa deu um salto e conquistou a credibilidade de fornecedores e clientes", lembra.

A estratégia para o crescimento foi preencher as lacunas deixadas pelas grandes indústrias do mesmo setor. "Eu me condiciono a ser um dos menores do mercado. Os grandes falham em alguns aspectos, então fico sempre na rebarba, esperando essas brechas para me diferenciar", afirma.

As coisas deram tão certo que, hoje, ele emprega 15 pessoas, conta com faturamento médio mensal de R$ 150 mil, planeja expandir o espaço físico da fábrica e já recebeu proposta para exportar para a Argentina. Mas para alcançar o sucesso, o empresário precisou se atualizar constantemente e manter os pés no chão.

"Hoje ganho um terço do que meus funcionários recebem. Escolhi viver assim, sem muitas ambições, para poder investir no negócio. Dessa forma, estou criando estrutura que vai me possibilitar uma condição melhor no futuro", pondera.

Loja virtual é opção para pouco capital

A vontade de abrir negócio próprio, mas com capital reduzido, levou a ex-publicitária de Diadema Gislaine Ishida, 23 anos, a criar a empresa virtual de roupas e acessórios femininos Pink and Purple em fevereiro deste ano.

"Tinha saído do emprego e decidi investir em algo próprio. Optei por uma loja virtual em função dos custos, que são bem menores. Descobri um nicho de mulheres que compravam roupas pela internet, me formalizei por meio do MEI (Microempreendedor Individual) e decidi arriscar", conta.

Apesar de a empresa estar hospedada na internet, a empresária logo percebeu a necessidade de ter um endereço físico para tocar o negócio. "No começo eu trabalhava em casa, mas estava misturando muito o meu horário com o do escritório. Então alugamos uma sala pequena para manter os estoques e centralizar todos os pedidos", revela.

A loja de Gislaine ainda está no início, mas como muitos outros comerciantes, ela já enfrenta dificuldades. "Para driblar a concorrência que existe na web, preciso investir muito em divulgação. Além disso, gasto bastante para fazer fotos dos produtos para colocar no site. Outro problema é a falta de confiança que o consumir tem em comprar pela internet", enumera a comerciante.

A empresária ainda não possui funcionários e conta apenas com a ajuda da irmã. Mesmo assim, em apenas quatro meses conseguiu obter lucro com o negócio. E já tem planos de expansão.

"A curto prazo quero investir mais em divulgação para fortalecer a marca. Hoje a concentração de vendas é no Sul, Sudeste e um pouco no Nordeste e espero atingir todas as regiões do Brasil. Futuramente, planejo abrir uma loja física e consolidar a marca", conta.



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