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Publicado em segunda-feira, 30 de novembro de 2009 às 06:18 Histórico

Rota reforça segurança no Grande ABC

Com o intuito de reforçar a segurança nas áreas de maior incidência de criminalidade no Grande ABC, o CPA/M6 (Comando de Policiamento de Área Metropolitana 6) da Polícia Militar, responsável pela região, contará com o reforço da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) até o fim do ano. A informação é do coronel José Luís Martins Navarro, comandante da corporação nas sete cidades.

O oficial contou que o apoio da Rota foi pedido no início deste mês e começou já no dia 4. "A Rota tem papel de combate ao crime organizado. Atua onde há incidência maior de criminalidade. É uma tropa especial, com mais armas e treinamento. É a reserva do comandante geral da Polícia Militar", definiu o coronel, que atuou na Rota entre 2005 e 2008.

O principal resultado da colaboração do 1º Batalhão de Choque da Capital, onde a Rota está lotada, foi a prisão de sete suspeitos de participar do comando do crime organizado no Grande ABC, no dia 21, na favela Santa Terezinha, no Jardim Santa Cristina, em Santo André.

Um verdadeiro arsenal de guerra foi encontrado com os presos em um barraco da comunidade: metralhadoras de calibre ponto 30 - que são usadas como armamento antiaéreo - lançadores de granadas antitanque, quatro fuzis, quatro carabinas, uma metralhadora calibre 9 milímetros, um revólver com cano alongado, uma submetralhadora, partes de armas desmontadas e 1.300 munições de calibres variados. Foram apreendidos ainda dois tijolos de maconha, uma embalagem com pasta de cocaína e uma quantidade de dinheiro que não foi revelada.

Comandante da Rota, o tenente-coronel Paulo Adriano Lopes Telhada contou que, ao rondar à paisana o Jardim Santa Cristina, policiais do P2 (Setor de Inteligência) do batalhão receberam a denúncia da existência do depósito do crime. Na madrugada seguinte, às 3h, cerca de 40 homens da Rota já se concentravam da sede do batalhão, recebendo instruções estratégicas para estourar o local.

Telhada contou que, às 6h, as dez viaturas deslocadas para a operação ocuparam a comunidade. "Escutamos os bandidos disparando com fuzis, treinando tiro", contou o policial. No início da mesma tarde, ocorreu a ação policial, que não deixou mortos ou feridos. "Não disparamos nenhum tiro", disse o oficial.
O coronel explicou que as operações da Rota são montadas rapidamente. "Tendo em vista preservar as vidas dos policiais e dos criminosos, por conta do método de treinamento aplicado a todos os policiais militares."

A Rota atua em todo o Estado de São Paulo, porém, ao contrário do que se costuma dizer, sua atuação é diferente da exercida pelo Bope (Batalhão de Operações Especiais) do Rio de Janeiro. Conhecido depois do filme como "Tropa de Elite", o Bope apenas cumpre missões específicas, segundo explicou Telhada. A Rota, além da atribuição de atuar em operações de alto risco, tem a função de patrulhar locais considerados perigosos.

Telhada contou ainda que, por conta da investigação e as ações contra o crime organizado, os bandidos estão enfurecidos. "Mas a cinzenta (a Rota) o pessoal respeita", disse o coronel.

Unidade atuou como polícia política durante a ditadura


Criada em outubro de 1970, a Rota atuou inicialmente como polícia política da Ditadura Militar. Em uma ação embrionária, no ano anterior, policiais do Batalhão de Choque caçaram guerrilheiros de esquerda na região do Vale do Ribeira, no sul do Estado.

Depois de formada oficialmente, a Rota teve a função primordial de coibir roubos a banco praticados por organizações que lutavam pela abertura política do País.

A partir do fim da década de 1970 e pelos anos 1980, o batalhão ficou conhecido como o grupo mais sanguinário das polícias.

O tenente-coronel Paulo Adriano Lopes Telhada admite que falhas são cometidas na atuação da Polícia Militar. "Não acobertamos nossos erros. E cortamos com navalha a própria carne quando é preciso", afirmou.

"A Rota tem fama de violenta porque age diretamente no problema. A possibilidade de confronto é sempre muito grande. Mas a Rota não é violenta. O crime é violento. Não saímos na rua para atirar em ninguém", disse.



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