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Cultura & Lazer

Publicado em quinta-feira, 18 de agosto de 2011 às 07:14 Histórico

Espectador ilustre

Considerada uma das principais estreias do ano em todo o mundo, 'Lanterna Verde' chega amanhã aos cinemas nacionais (incluindo o Grande ABC, com cópias convencionais e em 3D). Apesar da diferença de dois meses em relação ao lançamento original do longa-metragem, o desenhista Ivan Reis, de São Bernardo, talvez tenha sido o primeiro brasileiro a assistir a produção.

Ilustrador da ótima versão em quadrinhos do super-heróis da DC Comics, ele e sua mulher foram convidados do tapete vermelho que tomou Los Angeles, nos Estados Unidos, no dia 16 de junho, para a première mundial. "Foi divertido demais. Se você pegar as fotos do evento, aparece a gente em todas as imagens como papagaio de pirata", revela Reis, que também participou da pré-estreia em São Paulo que ocorreu na terça-feira para compreender melhor a ação, agora com legenda.

O primeiro contato com o longa-metragem ocorreu em agosto no ano passado, quando esteve em Nova Orleans para acompanhar as filmagens. "O mais maluco foi quando entrei na área de design do filme e vi meus desenhos espalhados pelo estúdio. Isso foi muito bacana e completamente surreal", afirma. "Mas o resultado final nunca é exatamente igual ao seu trabalho, pois trata-se de uma adaptação", frisa.

A divergência de opiniões internacionais sobre 'Lanterna Verde' (veja abaixo) tem rendido diferentes repercussões. Parte da crítica não gostou do trabalho apresentado pelo diretor Martin Campbell, sendo que muitos apontaram a infantilidade da história como um dos principais problemas.

Reis não acredita que a ação seja tão ruim quanto falam. Segundo ele, a expectativa em torno de uma abordagem mais séria logo de cara pode justificar a frustração quase geral. "O que aconteceu é que a crítica apostou demais em um filme que deve ser somente bacana. Não é uma revolução. É um filme divertido para a família. Pelo menos, eu gostei."

Basicamente, o título mostra como o piloto de aviões Hal Jordan se torna o primeiro humano a integrar a poderosa Tropa dos Lanternas Verde. Entre os outros guerreiros, está o sério Sinestro - com visual praticamente idêntico ao desenvolvido por Reis desde o início dos trabalhos com o universo do Gladiador Esmeralda, em 2006.

Talvez seja esse tom introdutivo que tenha desagradado. "Existe sim essa pegada mais infantil e inocente nesse primeiro momento. A ideia é amadurecer a história com a molecada que vai assistir, mais ou menos como ocorreu com o Harry Potter", explica.

No papel de espectador, o desenhista sabe que o filme tem suas falhas. "Claro que há problemas quanto à história e à direção, mas acho que isso não o prejudica. Acho que o pessoal tem malhado o filme injustamente."

Voltando ao mundo dos quadrinhos, Reis corre contra o tempo para não atrasar os prazos de entrega das ilustrações da nova HQ do Aquaman. Se depender da competência do rapaz, mais um super-herói não deve demorar a chegar aos cinemas.

Universo não funciona na tela

O estúdio Warner Bros busca um novo sucesso. Com o fim da agora bilionária série 'Harry Potter' e o último capítulo da trilogia 'Batman' com estreia no ano que vem, o atual queridinho da produtora parece ser 'Lanterna Verde'.

O personagem representa bem como são os negócios em Hollywood: protagonista popular, US$ 150 milhões são gastos em orçamento e a possibilidade de um sem número de produtos que podem ser ligados ao super-herói. A atração é perfeita para o público infantil, mas deve desagradar aos leitores mais crescidos.

Com direção de Martin Campbell (o mesmo que comandou James Bond em 'Cassino Royale', de 2006), o longa-metragem apresenta o irresponsável Hal Jordan (Ryan Reynolds) sendo escolhido como o primeiro humano a ser um Lanterna Verde, guardião interplanetário que protege a Terra e outros pontos da zona espacial pelas quais é responsável. Em meio a conflitos sobre ser capaz ou não de aguentar o novo serviço, ele é a esperança da humanidade contra Parallax, entidade espacial que se alimenta do medo.

A adaptação traz às telas muito do que os fãs têm acompanhado nas HQs. Por incrível que pareça, talvez esse seja o principal problema do projeto. A diferença entre as mídias é clara e a sensação que fica é de que esse universo não funciona no cinema.

Apesar de estarmos em uma época na qual os efeitos especiais estão mais presentes do que nunca nos variados títulos norte-americanos que lotam as salas, o mundo de poderes, planetas e alienígenas ao redor do herói se mostra apenas jogado na tela. No entretenimento caro que se tornou a sétima arte, apenas belas imagens não servem para agradar ao público minimamente crítico - e acreditem, os leitores adultos exigem também bons filmes das histórias que acompanham.

Levando em conta a observação do desenhista Ivan Reis (veja texto acima), é esperado que o tom infantil adotado na trama seja para que as crianças lotem as salas e consumam ao máximo produtos derivados do herói. A empolgação deste repórter em relação a 'Lanterna Verde' não era das maiores. Sendo assim, a expectativa quanto ao título não teria como ser quebrada.



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