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Setecidades

Publicado em quarta-feira, 14 de setembro de 2011 às 07:12 Histórico

Menina morre afogada em lago no Guaraciaba

O tancão da morte, lago artificial formado em extinto porto de areia no antigo Parque Guaraciaba, em Santo André, fez mais uma vítima ontem à tarde: a menina Paola Gabriela Santos Nascimento, 11 anos. Acompanhada de uma amiga de 13 anos e três garotos maiores de idade, ela foi ao local - que deveria estar isolado pela Prefeitura e sob vigilância - para nadar e morreu afogada. A área fica próxima ao fim da Avenida Valentim Magalhães.

No horário do acidente, por volta das 15h, segundo a família, a vítima deveria estar na Escola Estadual Waldomiro Silveira, onde cursava a 5ª série. Parentes desconfiam de que Paola, que nunca tinha ido ao tancão, foi induzida a ir até o local pela amiga de classe, considerada "má influência" pelos parentes. No fim de semana, Elisângela Nascimento, 28 anos, mãe da vítima, conversou com a colega da filha, M.S.S, que mora no morro Kibon, e pediu para que mantivesse distância da vítima.

Ontem, por volta de 11h30, na última conversa com a filha, Elisângela previu algo de errado. "Foi coração de mãe. Parecia um aviso de que aconteceria alguma coisa. Se essa menina fosse mesmo amiga da minha filha, teria ajudado a socorrê-la. Alguma coisa não encaixa nessa história", disse. Os três rapazes que estavam no local ainda não foram identificados. A menina foi encontrada com roupas íntimas e apenas ela teria entrado na água.

O avô, Clóvis Borges de Solza, 46, que fez o reconhecimento do corpo no local do acidente, alegou que M.S.S teria confessado na vizinhança que empurrou Paola no tancão, que chega a ter 15 metros de profundidade. Essa versão ainda não foi confirmada pela polícia. Em depoimento, a colega contou que tentou puxar Paola três vezes antes que se afogasse. "Impune o caso não vai ficar. Vamos atrás disso. Conhecemos ela, não fazia nada de errado e sabemos que Paola não teria tirado a roupa para entrar na água", disse o avô.

HISTÓRICO - Vizinhos e comerciantes da região afirmaram ontem à noite que a Guarda Civil Municipal realiza rondas diárias no local a fim de impedir a aproximação de pessoas no tancão, onde já aconteceram outras mortes. O problema é que o acesso, muitas vezes, continua sendo realizado por trilha no meio do mato.

A estudante será enterrada hoje à tarde, no Cemitério do Curuçá, em Santo André. O caso foi registrado no 3º Distrito Policial, na Vila Pires.

Justiça mandou Prefeitura fechar a área em 2005

O Parque Guaraciaba poderia ser famoso na cidade pelas belezas naturais que abriga. Mas não é. A área verde, de 550 mil m², é sinônimo de tragédia, devido às dezenas de mortes por afogamento. A imprudência dos visitantes e a crônica falta de fiscalização fizeram do local um dos mais perigosos da região.

Até 1989, o terreno era particular. Mesmo depois de adquirido pela Prefeitura de Santo André, nunca foi, de fato, um parque. A área não conta com equipamentos de lazer, como pista de caminhada ou parquinho para as crianças. Ali, o que há é um reservatório d’água, formado a partir de um porto de areia.

Adultos, jovens e crianças transformaram o tanque em piscina. As placas indicativas de “é proibido nadar” sempre foram solenemente ignoradas. Aos fins de semana, cerca de 200 pessoas chegavam a frequentar o local. E, em diversas ocasiões, o que era para ser simples brincadeira entre amigos terminava em afogamento. Daí o apelido do local, batizado de tancão da morte.

Em 2005, diante das falhas do poder público em evitar os acidentes fatais, a Justiça proibiu a entrada e circulação de visitantes no parque e atribuiu multa de R$ 1 milhão à Prefeitura todas as vezes em que fosse registrada morte no tancão. Seis anos depois da ordem judicial, a vigilância ainda não conseguiu impedir o acesso dos nadadores clandestinos.



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