Se antes as bonecas e os carrinhos eram os companheiros dos 13 aos 15 anos, hoje eles perdem lugar cada vez mais cedo para aquelas sensações de coração batendo mais forte, pernas bambas e suor nas mãos, mesmo quando ainda não se entende bem o que elas significam.
Segundo a psicoterapeuta e consultora de comportamento da Unifesp Mara Pusch, antigamente quem tinha 11 e 12 anos vivenciava um namoro de brincadeira. Agora, em alguns casos, o relacionamento já se concretiza com essa idade.
Apesar disso, o mais comum entre os adolescentes é ficar. É um modo de explorar e experimentar sentimentos, conhecer pessoas e vivenciar várias situações. "Nessa fase começa a puberdade, quando acontecem as mudanças corporais e hormonais no menino e na menina e, por isso, desperta esse desejo de estar com alguém", explica Mara Pusch.
Renan Medeiros, 15 anos, de São Bernardo, está na fase da curtição. "Eu gosto de ficar porque, quando aparece outra oportunidade, você não fica preso a ninguém e, por isso, não tem de dar satisfação", diz. Mesmo assim, ele confessa que age dessa forma porque não encontrou a pessoa certa. "Enquanto isso, aproveito e jogo o xaveco para pegar as meninas, mas quando encontrar alguém, sossego", confessa.
Porém, enganam-se aqueles que acreditam que todos são assim. Muitos jovens ainda preferem a moda antiga quando o assunto é relacionamento e escolhem o namoro no lugar das ficadas constantes. Como acontece com o casal Isabela Montanha Pariz, 15 anos e Iago Naves Nascimento, 15 anos que estão juntos há 1 anos e 3 meses.
O psicólogo e especialista em relacionamentos amorosos da USP Thiago Almeida explica que não há idade certa para namorar, mas tudo tem limites que devem ser impostos pelos familiares. Isso não significa que sejam ruins, e podem até colaborar para o crescimento dos adolescentes. "Eles podem se sentir mais energizados para assumir compromissos, por exemplo, da escola, e responsabilidades", explica.
Mas Almeida alerta que pode ser prejudicial quando um dos dois abre mão de alguma atividade, por exemplo. "Um sempre acaba abandonando os amigos, porque sempre estão 24 horas juntos, ou o ciúme é um exagero e começa a proibir um de fazer algo. Tudo isso é prejudicial, porque eles estão vivendo uma fase única da vida", ressalta. (Supervisão Juliana de Sordi Gattone)
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.