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Política

Publicado em sexta-feira, 11 de março de 2016 às 14:43 Histórico

Desconstrução civil

Aline Pietri/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Nada evidencia de maneira mais apropriada a paralisia em que se encontra o Brasil, atolado até o pescoço nas crises econômica e política, do que o ritmo da construção civil. E ele está devagar, quase parando. Estudo divulgado ontem pelo sindicato das indústrias do segmento mostra que o setor se encontra no fundo do poço no Grande ABC. A ausência de projetos das iniciativas privada e pública faz crescer o desemprego e especialistas apontam o momento atual como o pior já vivido em quatro décadas.

Presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado de São Paulo, José Romeu Ferraz Neto comparou a situação de hoje com a da década de 1990, quando o País também passava por instabilidade política, devido às denúncias de corrupção que acabaram por levar a termo o governo do presidente Fernando Collor de Mello. E disse que se está atualmente em clara desvantagem. Ele lembrou que, naquela época, ao menos os investimentos públicos estavam garantidos.

Em 2016, diferentemente, a inabilidade política da presidente Dilma Rousseff (PT), que a impede de dialogar com o Congresso Nacional para que sejam aprovadas as medidas necessárias para afastar o País da recessão, causa inanição também nos programas estruturais tocados pelo governo federal, que são grandes indutores da construção civil. E outros fatores decorrentes da crise financeira, como a dificuldade de obtenção de crédito, a política de juros estratosféricos e o alto endividamento do consumidor, acabam minando também os projetos da iniciativa privada.

Neste mar de estagnação econômica, as vítimas vão surgindo – em maior número, como sempre, do lado mais frágil. Enquanto as construtoras, bem ou mal, vão se acomodando à realidade, trabalhadores são demitidos em massa. De acordo com números do SindusCon-SP, foram 2.911 postos eliminados pelo setor apenas no Grande ABC em um ano. No País, meio milhão de pessoas foram postas no olho da rua. Triste desfecho para um governo que carregava em seu código genético a luta em defesa do operariado. 

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