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Publicado em domingo, 22 de novembro de 2009 às 06:07 Histórico

Policial de Santo André usa lápis para combater o crime

A arma que o policial civil Reginaldo Tavares, 32 anos, mais gosta de usar no combate ao crime é um simples lápis preto de ponta fina. Ele é o único profissional que faz os retratos falados de criminosos no Grande ABC.

Os pedidos para elaboração das imagens partem de delegados de todas as cidades da região. Em muitos casos esse é o primeiro passo para solucionar um homicídio ou identificar algum estuprador.

O policial também utiliza uma pistola calibre ponto 40 no seu dia a dia, como encarregado dos escrivães do Setor de Homicídios da Delegacia Seccional de Santo André.

Em sete anos na Polícia Civil, Tavares diz que já produziu mais de 1.000 retratos de criminosos. O policial não recebe qualquer adicional pelo trabalho extra.

"Não sei quantos casos foram resolvidos com a ajuda dos meus desenhos. Mas foram muitos. A imagem é um instrumento da investigação. Na conversa com a vítima aparecem outros elementos que nos ajudam", conta Tavares.

Ele garante que faz as imagens porque é apaixonado pelo tema desde criança. Tavares anda o tempo todo com o lápis atrás da orelha. "Sempre fiz desenhos de rostos. Quando eu era adolescente vi uma entrevista de um perito forense, e decidi que faria isto também", lembra.

Ao entrar na Polícia Civil em 2002, Tavares participou de uma seleção para fazer um curso ministrado por um dos profissionais mais reconhecidos do País na elaboração de retratos falados, o perito em arte forense Sidney Barbosa. Foram 60 inscritos para 10 vagas na ocasião.

"Antes, eu era autoditada, com as aulas me aperfeiçoei e percebi que as informações não estão apenas no rosto, mas em alguns detalhes que a vítima conta, que acabam passando despercebidos no depoimento feito durante a elaboração do boletim de ocorrência."

Para aperfeiçoar suas técnicas, Tavares fez cursos de designer de publicidade, artes plásticas e está prestes a concluir a graduação em psicologia. "No evento traumático (o crime) a pessoa registra como uma foto. É preciso estabelecer uma relação de confiança para o resultado ser satisfatório e o curso (de psicologia) foi importante para me dar este repertório", diz.

Desenhos ajudam em 70% dos casos
O perito em arte forense Sidney Barbosa, 38 anos, é um dos profissionais mais respeitados no Brasil na sua área. Ele coordena desde 2000, o Setor de Arte Forense da Delegacia Geral de Polícia do Estado de São Paulo.

A sua equipe produz em média de 500 a 600 retratos falados por ano. Agora todos são coloridos.

"O retrato falado de alta definição é de extrema responsabilidade. Precisa de um cuidado especial e de profissionais capacitados na elaboração", disse Sidney Barbosa.

Em 70% dos casos, os desenhos ajudaram na investigação criminal. A estatística foi levantada pelo próprio setor.

Entre os trabalhos de maior repercussão de Barbosa, está o retrato do Maníaco do Parque, o motoboy Francisco de Assis Pereira, feito em 1998. Com a divulgação na mídia, o criminoso foi reconhecido por uma mulher no Rio Grande do Sul.

O mais recente foi o dos três ladrões que entraram em uma mansão no bairro dos Jardins, na Capital, e levaram quadros de Tarsila do Amaral e joias.

"Eu fui chamado no domingo e fiz o retrato dos três e as imagens de alta definição foram divulgadas na segunda-feira. No outro dia, os quadros e as joias foram devolvidos. Provavelmente ficaram com medo de serem reconhecidos", acredita Barbosa.

Policial atuou em casos de repercussão
Um dos casos de maior repercussão no trabalho do policial Reginaldo Tavares foi o retrato falado do assassino do fotógrafo Luiz Antonio da Costa, o La Costa. Profissional da revista Época, La Costa foi assassinado em 11 de julho de 2003, no acampamento de sem-teto, no terreno da Volkswagen, em São Bernardo. O caso chocou o País.

Tavares trabalhava no Setor de Homicídios de São Bernardo, quando acompanhou a equipe de investigadores ao local do crime para começar os trabalhos de apuração do homicídio.

Com a ajuda das testemunhas, Tavares fez o retrato falado de Renato dos Santos Lira, o Bahia, que foi encontrado uma semana depois escondido na casa de uma irmã, em Diadema.

"Não estava com a minha prancheta, me deram uma folha de papel e um lápis. Os detalhes foram tantos que eu consegui fazer o desenho em cerca de meia hora", disse.

Tavares diz que precisa de uma sala confortável e ficar a sós com a vítima ou testemunhas para fazer bem o seu trabalho. "Mas no caso do assassino do fotógrafo foi diferente. O retrato acabou sendo feito no calor dos acontecimentos, e isso ajudou muito", conta.

A imagem (acima) foi publicada em diversos meios de comunicação no País, inclusive pela revista Época. "Não guardei o original, mas o importante é que o caso foi solucionado."

Para o chefe dos investigadores do Setor de Homicídios de Santo André, Francisco Canassa Júnior, uma imagem é fundamental para começar o trabalho de investigação. "Sem nada, fica complicado. O retrato nos dá referências. Na hora da produção, a vítima acaba se lembrando de um apelido ou algum detalhe do local do crime."

Profissional prefere lápis a softwares
Reginaldo Tavares não trabalha com computadores ou softwares. Ele prefere fazer os seus desenhos a lápis e se possível ir até onde a vítima ou a testemunha está.

Um dos casos de repercussão em que atuou foi a prisão de Roberto Pressoto que, segundo a polícia, estuprava e desfigurava as vítimas com mordidas e pancadas no rosto.

Tavares foi chamado pela Delegacia de Defesa da Mulher de Santo André para ir até o hospital fazer o retrato. Uma vítima tinha sido estuprada e estava toda machucada. O policial ouviu o depoimento ao lado do leito para tentar fazer a imagem.

"A vítima não conseguia falar. O trauma foi tão grande que ela não respondia às minhas perguntas. Quando eu vi a marca da mordida no braço dela, percebi que faltava em dente. Perguntei como eram os dentes do criminoso. Aí ela começou a contar uma série de detalhes", recorda Tavares.

Em outro reconhecimento, a vítima ficou apavorada com o policial, porque ele era parecido com o estuprador que a tinha violentado.

"Quando eu terminei o desenho, não conseguia entender, por que a mulher me olhava e abaixava a cabeça. Depois os investigadores me falaram que o desenho parecia comigo. Fiquei em choque. Mas ainda bem que o criminoso foi preso. E ele parecia mesmo comigo", recorda.



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