Publicado em segunda-feira, 29 de agosto de 2011 às 07:00

Pancadão é preocupação extra à polícia em Diadema


Elaine Granconato
Do Diário do Grande ABC

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O polêmico projeto de lei do Executivo que pretende regularizar o balada funk de rua em Diadema, batizada pelos frequentadores como pancadão, chegou no Legislativo. Bastidor político à parte, preocupação que não deve ser desprezada é que dos 32 homicídios ocorridos na cidade e registrados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado, entre outubro de 2010 e maio deste ano, cinco estão relacionados à festa sem regras e limites de som. E também três tentativas.

Os cinco crimes correspondem a 15,6% do total de homicídios nesse período em Diadema. "Não ocorreram exatamente nos locais da festa, mas as pessoas iam ou retornavam", afirmou o tenenente-coronel Luiz Ernesto Melchior Roland, responsável pelo 24º Batalhão da Polícia Militar.

A primeira ocorrência registrada foi em outubro de 2010; a última em maio, segundo Luiz Ernesto. A motivação dos crimes, no entanto, é passional. "Houve uma crescente sim", afirmou o policial militar, sem mais detalhes.

Os cinco homícidios e as três tentativas, que estão relacionados aos pancadões no município, também foram apontados pelo secretário de Defesa Social de Diadema, Arquimedes Andrade, durante entrevista ao Diário em que falou sobre a readequação da lei para regularizar a balada funk de rua.

A equipe do Diário esteve ontem à noite no Jardim Canhema, um dos pontos em que o encontro ocorre nos fins de semana. Entre as ruas Santa Joana e Santa Cruz foram vistos dois carros com caixas de som nos bagageiros. Além de funk em alto volume, o forró também rolava solto em um deles.

Alguns jovens bebiam e fumavam em grupetos pelas vias. A passagem de carros era possível, porém com dificuldade. Muitas motocicletas também movimentavam o local. Nenhuma viatura das polícias Militar ou Civil, bem como da Guarda Civil Municipal, foram vistas.

O projeto de lei mantém o artigo em que coloca na mão dos moradores da rua a decisão de permitir o pancadão madrugada adentro, por meio de abaixo-assinado. A Prefeitura se exime de sua responsabilidade. Hoje, as baladas ocorrem sem qualquer tipo de autorização do governo, o que é irregular.

Raphael Ramos

Câmara cobra explicações sobre regulamentação

O projeto que regulamenta os pancadões em Diadema mal chegou à Câmara e encontra resistência dos vereadores. Muitos questionaram a ausência de debates para desenvolvimento do texto e prometem emperrar as votações caso não haja audiências públicas e reuniões da Prefeitura com o Legislativo.

 

O prefeito Mário Reali (PT) protocolou a matéria na quinta-feira e orientou a bancada a apressar a avaliação do item. A atitude revoltou parte dos parlamentares. “Eu só soube desse projeto pela imprensa. No que depender de mim, não vai ser votado”, garantiu o vereador Célio Lucas de Almeida, o Célio Boi (PSB), que não conhece o teor da matéria.

 

O presidente da Câmara, Laércio Soares (PCdoB), também defendeu melhor explicação da administração. “É uma alteração que vai mudar a vida da população. Precisamos saber”, disse o parlamentar.

 

Segundo o líder de governo na Casa, Orlando Vitoriano (PT), a Prefeitura irá atender todos os pedidos dos vereadores. “Acredito que a regulamentação do pancadão ocorra entre em três semanas nos trabalhos legislativos.

 

 



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