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Setecidades

Publicado em sábado, 23 de abril de 2011 às 07:02 Histórico

Quatro jovens são mortos em chacina

A primeira chacina no Grande ABC em 2011 ocorreu às 3h da Sexta-Feira Santa e deixou um saldo cruel: quatro jovens mortos no Jardim Santo André, em Santo André. As vítimas foram executadas com tiros na cabeça e nas costas nas ruas Quatorze de Junho e Primeiro de Dezembro. Eles não tiveram chance de defesa.

Os assassinos dispararam 22 tiros dos calibres ponto 40 (uso exclusivo da Polícia Militar) e 380. Os cartuchos das armas encontrados no local foram recolhidos e levados para perícia.

Segundo testemunhas que não quiseram se identificar com medo de represálias, os criminosos chegaram em dois carros: um Siena prata e um Gol branco.

Os assassinos desceram dos veículos e mandaram o cabeleireiro Luís Fernando da Silva Egea, 19 anos, o cobrador de ônibus Fábio Bacilieri, 23, e o estudante Felipe Dias Rodrigues, 16, virarem para a parede e ajoelharem com as mãos nas cabeças. Em seguida, os homens dispararam. Os três jovens foram atingidos na cabeça e nas costas.

O desempregado Robert William Rodrigues, 25, que tinha saído da casa da namorada depois de participar da festa de aniversário de 2 anos da filha, foi a outra vítima do bando. Ele teria presenciado a chacina, os atiradores correram atrás dele e o balearam pelas costas. O jovem caiu a 30 metros das demais vítimas.

"Meu filho não tinha nada a ver com isso. Ele passou no lugar errado e na pior hora da sua vida", disse o taxista Moisés Soares de Souza, que na tarde de ontem ainda usava a roupa com as marcas de sangue do filho e estava em estado de choque. "Eu tentei socorrer, mais ele já estava morto."

Nenhuma das vítimas tinha antecedentes criminais. Para os familiares e amigos, eles morreram por engano, já que não tinham desavenças com ninguém e não eram viciados em drogas.

A Polícia Civil ainda não tem pistas dos assassinos. Nada foi levado das vítimas.Após os disparos, os homens saíram em alta velocidade com os veículos. 

BARULHO DA MORTE
O barulho dos tiros acordou a maioria dos moradores da região. O motorista Flávio da Rocha Carvalho,pai do cobrador Fábio, foi uma das pessoas que despertaram. "Estava dormindo e acordei com os tiros que mataram o meu filho."

No IML (Instituto Médico-Legal) de Santo André, as famílias não acreditavam na tragédia. O estudante Mario, 19, era amigo próximo de Luís Fernando e Felipe. Ele informou que não estava entre os mortos porque desistiu de acompanhar os amigos até o local. "Estava com eles até o começo da madrugada, e depois aconteceu isso."

 

Tristeza marca a Sexta-Feira Santa 

A Sexta-Feira Santa foi sombria para os moradores do Jardim Santo André. Todos acordaram ontem assustados na madrugada com os tiros e com a violência das mortes dos quatro jovens.

Poucas pessoas aceitaram falar com a equipe do Diário. A cada momento alguém parava na frente da padaria Nordestina para buscar explicações para os crimes.

A família do cobrador de ônibus Fábio Carvalho estava em desespero com a tragédia. Da porta da casa simples dá para ver onde o jovem foi morto. Ele era o único a morar nas proximidades.

"Como pode o rapaz trabalhar desde os 14 anos e morrer desse jeito? Ontem (quinta-feira) ele chegou do serviço, guardou a moto e foi conversar com os amigos na esquina", disse Valmir Jesus Costa, tio da vítima.

Os parentes e amigos de Luís Fernando Egea guardavam literalmente na cabeça as últimas recordações do amigo. Era ele quem cortava o cabelo de todos. No ano passado, Egea serviu como soldado no Tiro de Guerra e foi dispensado no fim do ano com boas recomendações. Desde então trabalhava de segunda-feira a sábado no salão de cabeleireiro e, aos domingos, como garçom.

"Tem que aparecer o responsável, mas duvido que a polícia vai resolver isso", disse um dos tios do rapaz.

O único menor de idade morto com vários tiros na cabeça foi o estudante Felipe Dias Rodrigues, 16. Ele morava no conjunto habitacional do bairro e ajudava a família vendendo espetinhos de churrasco.

CONVERSA NA ESQUINA
As vítimas estavam conversando na esquina e fumando narguilé (cachimbo indiano, usado por jovens). Não foram encontradas drogas com eles.

Na tarde de ontem foi realizado o enterro de Robert William Rodrigues, no Cemitério Curuçá. Hoje pela manhã, os vizinhos Luís Fernando e Felipe serão sepultados no Cemitério Curuçá e Fábio no, na Vila Pires.



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Diário do Grande ABC