Publicado em segunda-feira, 11 de abril de 2011 às 07:00

Consumir água de poços artesianos exige cuidados


Bruna Gonçalves
Do Diário do Grande ABC

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Água cristalina e sem odor não é sinônimo de qualidade, afirmam especialistas. Por isso, consumir água, proveniente de poços artesianos, exige cuidados. Na região são 12 pontos reconhecidos pelas prefeituras de São Bernardo e São Caetano.

Quem deseja pegar água desses locais precisa saber se o espaço tem autorização do DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), órgão do Estado responsável pelo gerenciamento e que libera a utilização e garante a qualidade, seja para abastecimento, uso industrial ou irrigação. Na região são 687 outorgas.

A diretora de outorga Leila Carvalho Gomes explica como deve-se proceder. "É preciso apresentar um projeto. A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) tem de analisar se o local não é contaminado. A área não pode ser de exploração de água mineral. Para consumo, é preciso ter cadastro na Vigilância Sanitária."

Leila explica que, além da autorização, é preciso de controle por meio de análise anual da qualidade da água. Em áreas próximas a locais contaminados a avaliação tem de ser feita a cada três meses.

Ela explica que a fiscalização é feita por 98 técnicos e que os usuários podem denunciar áreas irregulares na Diretoria do Alto do Tietê e Baixada Santista pelo 2062-6294 ou pelo email bat@daee.sp.gov.br

A professora de Química e Pesquisadora do Núcleo e Agência Ambiental da Universidade Metodista, Denise Neves, explica que a água própria para consumo é aquela com tratamento específico. "A água proveniente de poço artesiano, semiartesiano, mina ou bica deve ser consumida com cuidado, mesmo com aparência cristalina e sem odor. A fervura, porém, não exclui a contaminação. Por isso, deve ser filtrada, e para cada litro de água, adicionar duas gotas de hipoclorito de sódio a 2,5%."

A professora de Toxicologia da Faculdade de Medicina do ABC, Irene Videira de Lima, ressalta que além de saber sobre a procedência da água, o armazenamento também é importante. "É preciso deixar os galões em ambiente arejado, sem exposição ao sol", reforça, acrescentando que a ingestão da água contaminada pode causar diarréia.

 

PREFEITURAS

São Caetano possui oito poços artesianos com 11 bicas. O DAE (Departamento de Água e Esgoto) verifica diariamente a qualidade da água, além de fazer análises semanais e semestrais. Ao perceber alguma alteração no aspecto da água, a população pode ligar para os números 2181-1821/1815.

Em Santo André, a Vigilância Sanitária não recomenda o consumo. São Bernardo informou que há poço artesiano na Avenida Robert Kennedy, próximo ao clube Mesc, que atende 1.500 pessoas por mês.

Diadema não tem poços artesianos. Rio Grande da Serra informou que há uma bica particular, mas desconhece a certificação de qualidade. Ribeirão Pires e Mauá não responderam.

 

Hábito é comum no Grande ABC

 

Não só os moradores do Grande ABC têm o costume de pegar água em bicas, provenientes de poços artesianos. A equipe doDiário visitou alguns locais e observou a movimentação de pessoas que vêm de outras cidades para buscar água nos municípios vizinhos.

A dona de casa Leonor Aparecida Moreira da Silva, 60 anos, é uma delas. Ela e o marido moram na Vila Califórnia (Zona Leste da Capital) e há dois anos, a cada 15 dias, vão até a Bica Ivaí, na rua que leva o mesmo nome, no bairro Santa Maria, em São Caetano. "Pegamos dois galões de 20 litros, um para nós e outro para a nossa filha. A qualidade é ótima e economizamos."

O vigilante Augusto Cesar da Silva, 38, aproveita que passa pela Bica da Paz, localizada na Rua Justino Paixão, bairro Mauá, em São Caetano, ao visitar o pai, que mora em São Paulo. "Costumo pegar cinco galões de seis litros e usamos para beber", afirma o vigilante, que vive em Santo André.

Em São Bernardo, a movimentação é na Fonte Independência Eichenberger Junior, na Avenida Robert Kennedy, próximo ao Mesc.

A dona de casa Nilce Tavares, 54, leva o carrinho de feira para carregar as sete garrafas de seis litros. "Minha filha chega a beber três litros por dia", conta a moradora do Jardim Santa Elizabeth, em Diadema.

Mesmo com a Vigilância Sanitária de Santo André não recomendando o consumo, o auxiliar de enfermagem Ricardo do Nascimento, 26, pega há dois anos água na fonte do clube Primeiro de Maio, na Avenida Portugal, região central. "Como não tenho certeza sobre o tratamento, fervo a água", afirma.



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