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Viagem rumo ao estrelato

Luciano Andrey, nascido em Diadema, protagonista do
musical 'Priscilla, Rainha do Deserto', conta sua história

22/04/2012 | 07:30
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Dois ônibus e uma viagem extraordinária que mistura sonho, realidade, dificuldade e concretização separam dois importantes momentos da vida de Luciano Andrey - protagonista do musical 'Priscilla, Rainha do Deserto' - no teatro.

Mas foi por caminho mais longo do que esses dois veículos passaram que o ator, nascido em Diadema, teceu as influências que construíram sua vida, tanto no teatro quanto fora dele.

A infância foi vivida em Bofete, cidade do interior do Estado. Os anos que viveu por lá eram de brincadeiras no meio do mato e pouco contato com a realidade urbana. Campinas, cidade onde morou do início da adolescência até o começo da fase adulta, marcou seu primeiro contato com a arte.

Com a companhia que fundou junto com dois amigos, comprou um ônibus para excursionar com as peças. Logo ele foi batizado de Priscilla. "Começou a ficar inviável transportar cenários e figurinos com a van. Tiramos as poltronas e muitas vezes, quando não tínhamos alojamento ou hotel para ficar, dormíamos no ônibus", conta Andrey. "No começo não dava grana mesmo, mas eu acreditava. Foram três anos de viagens pelo Brasil. Ficava 20, 25 dias fora."

Quando acabou o sonho, a companhia estava falida e o ônibus teve de ser vendido ao ferro-velho. "Eu não sabia o que fazer, era o teatro que eu acreditava". Foi aí que decidiu vir para São Paulo. Na cara e na coragem, sem ter onde ficar e com dinheiro emprestado. "Peguei a mochila e vim para cá me dando nova chance."

Entrou na EAD, e um horizonte em folha se descortinou à sua frente. Logo aprendeu que não era só o teatro que fazia em Campinas o que existia. Se apresentava nos projetos da faculdade enquanto sobrevivia trabalhando de garçom.

No fim do curso teve a oportunidade de viver a Geni de 'A Ópera do Malandro'. Foi então que migrou para a área musical. "Pessoas da Casa de Artes Operária foram assistir e me aconselharam a fazer aula de canto. Falei que não podia, pois era caro, mas combinaram de fazer uma troca. Eu dava aulas de teatro em troca de ser aluno de canto."

De 'My Fair Lady' pulou para 'West Side Story' e 'O Rei e Eu'. Foi o caminho até embarcar em 'Priscilla', cujo teste ele foi fazer sem expectativa. "O primeiro pensamento foi ‘não estou a fim de fazer'. Estava em 'Mambo Italiano' e a fim de dar um tempo no musical, voltar para o teatro. Fui sem pretensão, até porque já houve muitos papéis que eu queria fazer e que acabaram não rolando."

Pensando nos representativos ônibus de sua vida, ele encara o primeiro como um embarque e o seguinte, como um desembarque. "O Priscillinha era o começo de um sonho, de uma jornada em busca de algo que eu acredito. Acho que agora estou chegando nos lugares em que queria estar, a concretização de objetivos pessoais e desejos mais profundos. Se não tivesse batalhado tanto, se tivesse desistido, não estava aqui. Fui produtor, ator, manobrista de ônibus e carregador de cenário. Aprendi a não desistir, mesmo às vezes ficando de saco cheio."

Priscilla, Rainha do Deserto - Musical. No Teatro Bradesco do Shopping Bourbon - Rua Turiassú, 2.100, São Paulo. Tel.: 3670-4141). 5ª e 6ª, às 21h; sáb., às 17h e às 21h e dom., às 16h e às 20h. R$ 40 a R$ 250. Até 22 de julho.

‘Sempre me interesso por situações de conflito'

Na pele de Tick, que é também Mitzi, uma drag queen disposta a encerrar o conflito que lhe pôs longe do filho, Luciano Andrey vive em 'Priscilla, Rainha do Deserto' o tipo de teatro que pode dizer que é seu, no qual não importa gênero ou rótulo, mas sim o poder de transformação.

"Sempre me interesso por situações de conflito, que demonstram a força da vida. Uma das coisas mais legais do teatro é ser ao vivo, estar mudando sempre", diz Luciano.

Ele, que já fez todo tipo de teatro, revela nunca ter sentido pressão por ter saído da Escola de Artes Dramáticas da USP e se lançado em um gênero teatral que muitos ‘intelectuais consideram menor. "Acho babaquice essa separação de teatro comercial, teatro de grupo etc. A questão do teatro é a transformação, o identificar-se com uma história. Isso independe de gênero e estilo", revela, e exemplifica com casos de 'Priscilla': "Meu personagem não é simples, tem um grande conflito, está de saco cheio da vida e criando coragem suficiente para conhecer o filho. Teve gente que veio me dizer ‘tive coragem de contar para o meu filho a minha orientação sexual por causa do seu personagem'."

Pensando em, depois, buscar oportunidades em televisão ou cinema, Andrey hoje vive a loucura de fazer show nas coxias e no palco do Teatro Bradesco. "Tem um outro espetáculo atrás do palco. Há apenas uma cena em que eu tenho tempo de sair e tomar água. De resto, são 20, 30 segundos para entrar no vestido, colocar o salto e voltar à cena. É uma loucura, mas divertido e prazeroso. Tudo é treino, o trabalho do ator é assim."

DGABC



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