Diário do Grande ABC

CULTURA & LAZER


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012 7:03

Homenagem ao cinema mudo

Luís Felipe Soares
Do Diário do Grande ABC

1 comentário(s)

Passar duas horas no cinema e ouvir pouco mais de um minuto de falas não é nada atrativo. Acostumado a momentos impactantes antes mesmo do letreiro do título surgir, o público terá como desafio apreciar a homenagem ao passado proposta por 'O Artista'. O longa de origem francesa (mas com boa pitada da sétima arte norte-americana) se torna uma das grandes surpresas da última temporada ao ter na simplicidade o poder de reaver a antiga magia do cinema clássico.

O diretor Michel Hazanavicius apresenta o drama de George Valentin (Jean Dujardin, em atuação que o destaca entre os indicados ao Oscar de melhor ator), grande astro dos filmes mudos da década de 1920 que não encontra seu papel com a chegada do som ao mercado cinematográfico. Ele simboliza a glória do passado que rapidamente é deixada para trás para dar espaço para a nova era falada.

Sua figura contrasta com a da jovem atriz Peppy Miller (Bérénice Bejo), grande aposta do estúdio nesse momento de transição da sétima arte. A curta carreira meteórica faz com que rapidamente se deslumbre com o 'status' de estrela, mas guarda secretamente respeito enorme pelos feitos de Valentin.

A reação é a peça-chave do longa-metragem. Seja pelo protagonista e a aversão pela fala, ou em relação ao espectador que se depara com estilo que jamais acompanhou nas telonas. O maior exemplo disso é o pesadelo do ator ao ouvir os sons de tudo o que ocorre ao seu redor enquanto não consegue fazer ser ouvido.

O incômodo é uma certeza durante a sessão. Em tempo no qual a sociedade busca se comunicar mais do que nunca, é estranho aguardar os momentos finais para que a curiosidade de conhecer a voz de Dujardin seja saciada com apenas pouquíssimas palavras. Entretanto, a sensação que fica é de que não é necessário se dizer nada, uma vez que as imagens e o coração do artista vibram mais do que o som.

A celebração do simples faz com que 'O Artista' tenha grandes chances de levar o Oscar de melhor filme no dia 26.




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Comentários

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paulo cesar de castro silveira

10/02/2012 às 20:56

Cinema é imagem em movimento. 24 fotogramas em um segundo. O som nos faz esquecer que cinema é imagem. Espero que não seja só uma homenagem, mas o renascer do Ciinema-Imagem. O cimema nunca foi "mudo". Ele fala por meio de imagens.


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