Abastecimento Durante todo o dia, os moradores sofreram para
buscar água em poços, bicas e em caminhões-pipa

As 320 mil pessoas que estão sem água após mais de 48 horas em Mauá sofrem desde ontem para conseguir suprir as necessidades básicas, como tomar banho, lavar louças e roupas. Durante todo o dia, os moradores buscaram água em poços, bicas e em caminhões-pipa. Mulheres, idosos e crianças tiveram de equilibrar baldes na cabeça e subir os morros. O forte calor deixou a tarefa ainda mais difícil.
De acordo com o Sama (Saneamento Básico do Município de Mauá), o desabastecimento foi ocasionado pelo rompimento de adutora no bairro Capiburgo. O incidente ocorreu na madrugada de quarta-feira, em tubulação de aproximadamente 60 centímetros de diâmetro, que abastece os reservatórios Zaíra e Magini. Juntos, os equipamentos têm capacidade para armazenar 15 milhões de litros e abastecem 91 bairros.
Uma das hipóteses levantadas pelos técnicos que vistoriaram o local do rompimento - que fica em difícil acesso, no meio da mata fechada - é que naquela tubulação existem três bombas da Sabesp. No período noturno, a companhia desliga duas delas para economizar energia. Na madrugada, elas são religadas. Nesse caso, a pressão de ar dentro da tubulação pode ter sido forte demais, o que pode romper o cano ou mesmo deslocá-lo. A conclusão final somente será feita após a elaboração de um laudo técnico.
Devido às fortes chuvas que atingiram a cidade hoje, o trabalho foi interrompido, mas o prazo inicial de que o abastecimento seria regularizado durante o dia de amanhã continua valendo. Equipes da Sama estão no local avaliando os procedimentos que irão adotar para restaurar a tubulação.
LUTA PELA ÁGUA - No Jardim Zaíra, um dos mais afetados, um poço na Viela 25 era extremamente disputado pelos moradores. Antes das 11h da manhã, a autônoma Elisângela Severiano de Carvalho, 32 anos, já havia feito seis viagens até o reservatório. "Pego a água para lavar louça e usar o banheiro. Não tem mais nenhuma gota na minha caixa d'água", relata. A dona de casa Eliane Maria da Silva, 34, que divide a casa com o marido e cinco filhos pequenos, estava indignada com a falta de água. "Pagamos tão caro e não temos o retorno esperado. A situação está precária", acusa.
No bairro Nova Mauá, a saída encontrada pelos moradores foi fazer fila em uma bica. A espera para encher um balde de água era de até uma hora. Durante a tarde, mais de 20 pessoas esperavam sua vez debaixo do sol forte. "Estou sem um pingo de água em casa há dois dias. Uso para o banheiro e lavar a louça, mas não tenho coragem de beber por medo dessa água estar contaminada", diz a doméstica Valdelice Souza Lima, 48. Na Vila Magini, os moradores não tiveram a sorte de contar com um poço ou uma bica. "Ontem meu sobrinho de um ano teve de tomar banho com garrafa de água mineral. A louça e a roupa estão acumuladas. A Prefeitura deveria mandar um caminhão-pipa para a gente", revolta-se a diarista Eliana Gomes, 41.
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