Setecidades Titulo Abastecimento

População de Mauá
sofre com falta d'água

Durante todo o dia, os moradores sofreram para
buscar água em poços, bicas e em caminhões-pipa

09/02/2012 | 16:30
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


As 320 mil pessoas que estão sem água após mais de 48 horas em Mauá sofrem desde ontem para conseguir suprir as necessidades básicas, como tomar banho, lavar louças e roupas. Durante todo o dia, os moradores buscaram água em poços, bicas e em caminhões-pipa. Mulheres, idosos e crianças tiveram de equilibrar baldes na cabeça e subir os morros. O forte calor deixou a tarefa ainda mais difícil.

De acordo com o Sama (Saneamento Básico do Município de Mauá), o desabastecimento foi ocasionado pelo rompimento de adutora no bairro Capiburgo. O incidente ocorreu na madrugada de quarta-feira, em tubulação de aproximadamente 60 centímetros de diâmetro, que abastece os reservatórios Zaíra e Magini. Juntos, os equipamentos têm capacidade para armazenar 15 milhões de litros e abastecem 91 bairros.

Uma das hipóteses levantadas pelos técnicos que vistoriaram o local do rompimento - que fica em difícil acesso, no meio da mata fechada - é que naquela tubulação existem três bombas da Sabesp. No período noturno, a companhia desliga duas delas para economizar energia. Na madrugada, elas são religadas. Nesse caso, a pressão de ar dentro da tubulação pode ter sido forte demais, o que pode romper o cano ou mesmo deslocá-lo. A conclusão final somente será feita após a elaboração de um laudo técnico.

DGABC

 

Devido às fortes chuvas que atingiram a cidade hoje, o trabalho foi interrompido, mas o prazo inicial de que o abastecimento seria regularizado durante o dia de amanhã continua valendo. Equipes da Sama estão no local avaliando os procedimentos que irão adotar para restaurar a tubulação.

 

LUTA PELA ÁGUA - No Jardim Zaíra, um dos mais afetados, um poço na Viela 25 era extremamente disputado pelos moradores. Antes das 11h da manhã, a autônoma Elisângela Severiano de Carvalho, 32 anos, já havia feito seis viagens até o reservatório. "Pego a água para lavar louça e usar o banheiro. Não tem mais nenhuma gota na minha caixa d'água", relata. A dona de casa Eliane Maria da Silva, 34, que divide a casa com o marido e cinco filhos pequenos, estava indignada com a falta de água. "Pagamos tão caro e não temos o retorno esperado. A situação está precária", acusa.

No bairro Nova Mauá, a saída encontrada pelos moradores foi fazer fila em uma bica. A espera para encher um balde de água era de até uma hora. Durante a tarde, mais de 20 pessoas esperavam sua vez debaixo do sol forte. "Estou sem um pingo de água em casa há dois dias. Uso para o banheiro e lavar a louça, mas não tenho coragem de beber por medo dessa água estar contaminada", diz a doméstica Valdelice Souza Lima, 48. Na Vila Magini, os moradores não tiveram a sorte de contar com um poço ou uma bica. "Ontem meu sobrinho de um ano teve de tomar banho com garrafa de água mineral. A louça e a roupa estão acumuladas. A Prefeitura deveria mandar um caminhão-pipa para a gente", revolta-se a diarista Eliana Gomes, 41.

 

 




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