
Diante do imbróglio do PSDB em consolidar candidaturas no Estado, o ex-deputado federal Duílio Pisaneschi (PSDB) condicionou a deliberação do voo solo tucano na sucessão de Aidan Ravin (PTB), em outubro, ao aval do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Segundo ele, a pré-candidatura do vereador Paulinho Serra (PSDB) na cidade passa por estudo, levando em consideração a eventual parceria com o PTB. Em contrapartida, sustenta que o ideal seria lançar candidatura própria para "garantir crescimento".
Próximo de tucanos na esfera estadual, Duílio argumenta que não adianta aumentar o tom do discurso no âmbito municipal do ninho tucano em função da grande influência do governador na eleição. "A deliberação ficará a cargo do Alckmin. Para o partido, avalio que interessante seria candidatura própria, mas é certo que ele é quem definirá se faremos coligação ou uma empreitada independente", alegou o político, que durante a maior parte de sua trajetória atuou nas fileiras do PTB.
O ex-deputado deixou a sigla em 2006 e, em 2009, a convite de José Serra (PSDB), se filiou no tucanato para contribuir na campanha do cacique ao Palácio do Planalto. "Sempre tive afinidade com políticos do PSDB. Fui vice-líder do governo Fernando Henrique Cardoso de 1998 a 2002", lembra.
Os caciques tucanos, em diversas cidades, buscam costurar acordo com partidos da base aliada visando obter a contrapartida de apoio em 2014 na disputa pela reeleição de Alckmin. Em parte irão desistir de voo solo para apoiar um partido parceiro. Independentemente de encabeçar chapa majoritária, a iniciativa do PSDB visa polarizar contra o PT para evitar o fortalecimento do adversário, o que teoricamente diminuiria hipótese de derrota no embate pelo Palácio dos Bandeirantes.
Paulinho avalia que a análise de decisão exclusiva de Alckmin "é simplista", apesar do peso da liderança. Segundo ele, o governador incentivou, em duas oportunidades, tornar a candidatura estruturada, dando sinal verde em caso de viabilidade. "Nunca senti recuo. A tendência é de se materializar, até porque atingimos índices que nos foram estipulados (de 12% a 15% das intenções de voto)."
O pré-candidato justifica que Duílio é exemplo de que "nem sempre um mais um significa dois". Ele cita o acordo entre PSDB e PTB na chapa majoritária, em 2004, quando o próprio ex-deputado foi vice de Newton Brandão (PSDB). "Houve interpretação de que a união teria mais chance de acabar com o PT, que vinha do escândalo da morte do Celso Daniel (em 2002). O resultado: perdeu (para João Avamileno, PT)."
O partido, que nunca governou a cidade, despenca em poder. Prova disso é que dos 39 municípios que compõem a Região Metropolitana, comanda apenas dois: Rio Grande da Serra e Salesópolis, cidades com pouco potencial eleitoral.
O presidente do PSDB local, Ricardo Torres, não retornou aos contatos do Diário.